17 de Fevereiro de 2026

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Gastronomia - 30/01/2026

Brasil defende açaí da Amazônia contra 'biopirataria'

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Foto: Reprodução/Google

O Brasil declarou o açaí um dos frutos nacionais, com o objetivo de reafirmar sua propriedade sobre esse "superalimento" e frear as empresas estrangeiras que buscam se apropriar das riquezas biológicas da Amazônia.

O Brasil declarou o açaí um dos frutos nacionais, com o objetivo de reafirmar sua propriedade sobre esse "superalimento" e frear as empresas estrangeiras que buscam se apropriar das riquezas biológicas da Amazônia. Os habitantes da maior floresta tropical do mundo usam há séculos a polpa espessa do açaí para acompanhar seus pratos diários de peixe.

 

O fruto de cor roxa ganhou popularidade no mundo no começo dos anos 2000, após ser reinventado como sobremesa gelada - muitas vezes coberto com granola, banana e outras frutas - e promovido por ser rico em antioxidantes. Os ingredientes ativos do açaí atraíram o interesse de empresas de alimentos e cosméticos de todo o mundo. Em 2003, uma companhia japonesa registrou o nome "açaí", e o Brasil levou quatro anos para cancelar essa patente.

 

Casos como esse foram debatidos no Congresso Nacional durante a tramitação da lei que declarou o açaí um fruto nacional, apresentada pela primeira vez em 2011 e sancionada no começo do mês. O Ministério da Agricultura disse à AFP que a medida ajuda a destacar o açaí como um "produto genuinamente brasileiro" que gera renda para milhares de famílias amazônicas. Mas especialistas apontam que a lei é em grande parte "simbólica", e apenas evidencia o desafio representado pelo interesse internacional crescente em uma ampla gama de frutas endêmicas da Amazônia.

 

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O Brasil é um dos países que se preocupam com a biopirataria, o uso de recursos genéticos por terceiros sem a permissão das comunidades que os descobriram e a repartição de benefícios. A lei "ajuda a priorizar o tema na agenda pública", disse Bruno Kato, fundador da Horta da Terra, empresa que desenvolve e comercializa ingredientes amazônicos.

 

Grande risco

 


A lei "tem, sobretudo, um valor simbólico e de afirmação cultural", disse à AFP Sheila de Melo, analista de propriedade intelectual da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O Brasil é um dos países com maior biodiversidade, e uma ampla gama de frutos com propriedades únicas corre um grande risco de ser desenvolvida e patenteada no exterior, destacou Sheila.

 
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A analista citou o caso emblemático do cupuaçu, uma fruta amazônica cremosa usada em sobremesas e cosméticos. No fim dos anos 1990, ele foi registrado como marca por uma empresa japonesa, que exigia o pagamento de US$ 10.000 (R$ 52.000) de qualquer produto que mencionasse "cupuaçu" em seu rótulo. Duas décadas foram necessárias para reverter a marca. Outras empresas já registraram patentes no exterior de alimentos e cosméticos desenvolvidos a partir dos ingredientes ativos do açaí, alertou Sheila.

 

Fonte: com informações Acrítica

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