Com as obras, senadores reconectam sonhos que muitos já consideravam impossíveis
Durante décadas, a BR-319 virou símbolo do isolamento do Amazonas, da burocracia ambiental brasileira e da incapacidade política de Brasília em compreender a realidade amazônica. Presidentes passaram. Governos terminaram. Promessas foram feitas. E a estrada continuou abandonada.Por isso, a autorização dada pelo presidente Lula da Silva para o avanço das obras da BR-319 representa mais do que uma simples decisão administrativa. Trata-se de um fato histórico e político.
Histórico porque rompe um impasse que atravessou pelo menos quatro décadas.Político porque, no Amazonas, poucos personagens estiveram tão ligados à defesa da BR-319 quanto os senadores Omar Aziz e Eduardo Braga.
Enquanto muitos consideravam a recuperação da estrada inviável, os dois mantiveram a pauta viva no debate nacional. Foram anos de enfrentamentos políticos, discursos, articulações em Brasília, pressão sobre ministérios e embates contra setores que viam a pavimentação da BR como uma ameaça ambiental irreconciliável.
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No meio desse caminho, vieram as críticas.
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Adversários políticos diziam que a BR-319 jamais sairia do papel. Acusavam Omar e Braga de usar a estrada apenas como promessa eleitoral recorrente. O discurso era repetido a cada eleição: “a obra não sai”.Saiu E saiu justamente num momento em que a integração logística da Amazônia deixou de ser apenas um debate regional para se transformar em questão estratégica nacional. A fala de Omar Aziz publicada nesta quinta-feira, em seu Instagram, resume bem o peso político e humano dessa luta. “Ninguém trabalhou tanto quanto eu como governador para que a gente pudesse asfaltar essa estrada”, afirmou o senador.Ao lembrar da crise do oxigênio durante a pandemia, Omar associa a BR-319 não apenas ao desenvolvimento econômico, mas à sobrevivência do povo amazonense.
“Eu vi 15 mil pessoas morrerem na cidade de Manaus por falta de oxigênio, porque a BR-319 não estava asfaltada”, disse. A declaração carrega um simbolismo profundo. Para milhares de amazonenses, a BR deixou de ser apenas uma estrada. Tornou-se uma questão de soberania, segurança e dignidade regional. O próprio senador resume essa percepção ao afirmar que a ligação rodoviária “nos faz brasileiros de verdade”.
Porto da Manaus Moderna

Fotos: Reprodução/Google
Mas a visita de Lula ao Amazonas trouxe outro anúncio igualmente emblemático: a construção do novo Porto da Manaus Moderna. Manaus, a maior cidade da Amazônia, sempre conviveu com uma contradição cruel. Milhares de pessoas chegam diariamente à capital pelos rios — as verdadeiras estradas amazônicas, sem que exista uma estrutura portuária minimamente compatível com a dimensão humana e econômica da região. O novo porto representa dignidade para passageiros do interior, modernização logística e reorganização urbana para uma área historicamente marcada pela precariedade.
Fonte: com informações BNC
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