01 de Maio de 2026

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Comportamento - 27/04/2025

Boreout: O Tédio como perigo invisível nas organizações modernas

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Foto: Reprodução/Google

Segundo dados da consultoria global Gallup, cerca de sete a cada dez brasileiros estão desengajados no trabalho.

A síndrome do tédio extremo, conhecida como boreout, está emergindo como um dos maiores desafios silenciosos do mundo corporativo moderno. Ao contrário do Burnout — que surge da sobrecarga de trabalho —, o boreout tem origem na falta de estímulos, no desengajamento e na ausência de propósito nas tarefas diárias.

 

Segundo dados da consultoria global Gallup, cerca de sete a cada dez brasileiros estão desengajados no trabalho. O resultado? Profissionais emocionalmente distantes, pouco produtivos e empresas menos inovadoras.

 

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O que é boreout?

 

 

 

O termo foi cunhado em 2007 pelos consultores suíços Peter Werder e Philippe Rothlin, no livro “Diagnose Boreout”. Ele descreve o estado mental de pessoas que, apesar de empregadas, sentem-se entediadas, sem motivação e sem conexão com o que fazem. Esse quadro, muitas vezes associado a tarefas repetitivas, falta de reconhecimento ou ausência de propósito, pode levar a sintomas semelhantes ao Burnout: exaustão, cinismo, baixa eficácia e até adoecimento.

 

Fatores que favorecem o tédio extremo no trabalho:

 

• Permanência longa em uma mesma função sem perspectivas de crescimento;
• Falta de interações sociais ou de pertencimento à equipe;
• Cultura organizacional que não estimula desafios ou inovação;
• Ausência de reconhecimento e estímulo ao desenvolvimento pessoal.

 

 

 

Para Karishma Patel Buford, diretora de pessoas da Spring Health, o boreout pode surgir quando a empresa falha em criar um ambiente envolvente. A consequência? Profissionais desconectados, clima organizacional ruim e perda de desempenho. A crise de desengajamento global vem ganhando força, alerta Annie Rosencrans, diretora de pessoas da HiBob. O relatório Gallup de 2024 aponta que 1 em cada 5 funcionários se sente solitário no trabalho, e no Brasil, 46% relatam sentir estresse diariamente. Isso favorece fenômenos como o quiet quitting — quando o colaborador faz apenas o mínimo necessário para manter seu emprego, sem engajamento real.

 

Joe Galvin, da rede de mentoria Vistage, destaca o boreout como uma etapa anterior ao quiet quitting: “A apatia é o estágio silencioso do desligamento profissional”.

 

Reflexo nas gerações mais jovens

 

 

 


Segundo Jason Helfrich, cofundador da 100% Chiropractic, o tédio e a frustração também estão ligados às novas gerações, que reagem ao retorno aos escritórios exigindo ambientes mais flexíveis, estimulantes e com propósito.

 

Como prevenir o boreout?

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

A responsabilidade é compartilhada. Empresas devem criar uma cultura que valorize o crescimento, estimule desafios e reconheça conquistas. Mas o profissional também pode adotar estratégias para se manter motivado:

 

• Buscar mentorias e feedbacks frequentes;
• Participar de novos projetos ou se voluntariar em outras áreas;
• Engajar-se em treinamentos e capacitações;
• Reavaliar seu propósito e alinhar suas metas com o gestor direto.

 

“Se você está se sentindo apático, questione por que escolheu esse trabalho. Reflita sobre o que te motiva e busque mudanças internas ou externas que façam sentido para você”, orienta Helfrich.

 
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O boreout não é apenas um problema pessoal — é uma ameaça à saúde organizacional. Reconhecer seus sinais, tanto em si mesmo quanto nas equipes, é o primeiro passo para recuperar o entusiasmo e a conexão com o trabalho. Em tempos em que a inovação depende do engajamento humano, combater o tédio profissional se torna uma prioridade estratégica.
 

 

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