Petista foi assassinado a machadadas em Mato Grosso um dia após Bolsonaro falar em "extirpar a esquerda"; presidente segue com discurso violento mesmo após o crime brutal.
Um dia após mais um petista ser assassinado por um bolsonarista, o presidente Jair Bolsonaro (PL) não só silenciou sobre o crime brutal com motivação politica, como incitou ainda mais violência.
Durante comício na cidade de Araguatins (TO), nesta sexta-feira (9), Bolsonaro chamou o PT de "praga" e prometeu "varrer" o partido. "Essa praga sempre está contra a população. Esse pessoal não produz nada, só gera desgraça para o povo brasileiro. Com essa nossa reeleição, varreremos para o lixo da história esse partido dito dos trabalhadores, mas na verdade é composto por desocupados", disparou.
Na quarta-feira (7), durante seu discurso em Copacabana, no Rio de Janeiro, Bolsonaro já havia incitado a violência contra petista diante de apoiadores, falando em "extirpar" militantes do partido.
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"Compare o Brasil com os países da América do Sul, compare com a Venezuela, compare com o que está acontecendo na Argentina, e compare com a Nicarágua. Em comum esses países têm nomes que são amigos entre si. Todos (...) são amigos do quadrilheiro de nove dedos que disputa a eleição no Brasil. Não é voltar apenas à cena do crime... Esse tipo de gente tem que se extirpada da vida pública", declarou na ocasião.
Petista é assassinado por bolsonarista no Mato Grosso
Um dia após a fala de Bolsonaro sobre "extirpar" petistas, Rafael Silva de Oliveira, defensor de Bolsonaro (PL), assassinou Benedito Cardoso dos Santos, este eleitor de Lula (PT), a facadas e machadadas. O caso ocorreu na Zona Rural de Confresa (MT).
Em entrevista à Fórum, o delegado Victor Oliveira, da Delegacia Municipal de Confresa e responsável pelo caso, revelou mais detalhes do crime a partir do depoimento do autor. “Tudo começou na manhã do dia 8 de setembro, por volta das 6h, quando o autor [do crime, Rafael Silva de Oliveira] compareceu no hospital [de Confresa] para receber atendimento médico. A Polícia Militar já estava no hospital e tinha conhecimento de que tinha uma vítima de homicídio na Zona Rural. Então, a PM ligou os fatos e apresentou a suspeita pra gente aqui na Polícia Civil”, conta Oliveira.
Com o alerta em mãos, o delegado conta que eles foram até a chácara onde ocorreu o assassinato. “Nós, com equipe de investigador bastante experiente nesses crimes de homicídios, deslocamos até o local do fato, onde estava o corpo da vítima e lá nós logramos êxito em encontrar as armas do crime: um machado e uma faca. Também encontramos outros elementos que apontava para o suspeito como sendo o autor do crime”, revela o delegado responsável pelo caso.
Primeiramente, Rafael negou a autoria do crime e declarou que o seu colega de trabalho, Benedito, tinha sido assassinato por homens que tinham invadido a chácara. Sobre as marcas em seu corpo, o assassino declarou que os invasores também tinham tentado dar cabo em sua vida. Porém, com as evidências descobertas pela polícia, o bolsonarista assumiu a autoria do crime.
“Ele viu que não adiantava mais negar e resolveu confessar os fatos. Segundo ele [Rafael Silva, autor do crime] tudo começou na noite do 7 de setembro quando eles estavam juntos e sozinhos nessa chácara e estavam falando sobre política. Quando a vítima estava defendendo o candidato Lula e o suspeito, autor do crime, defendendo o candidato Bolsonaro. A partir de um momento, a vítima desferiu um soco na cara do autor, que revidou com outro soco. Após isso, a vítima pegou uma faca que estava sobre a mesa e o autor foi pra cima para tomar a faca. O autor conseguiu tomar a faca e a vítima saiu correndo e o autor saiu correndo atrás dela”, conta o delegado.
Fonte: Revista Fórum
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