23 de Abril de 2026

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Política - 11/11/2021

Bolsonaro lança programa Comida no Prato após tirar comida do prato do país, afirma site

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Foto: Reprodução

Programa do Governo Federal que agiliza o processo de doações de alimentos e permite isenção de ICMS foi lançado em cerimônia no Palácio do Planalto na quinta-feira, 11.11

Após desmontar o eficaz Bolsa Família, substituindo-o pelo eleitoreiro Auxílio Brasil, e sendo incapaz de apresentar um projeto nacional para geração de postos de trabalho decentes, Jair Bolsonaro lançou um programa para incentivar empresas a doarem a bancos de alimentos através de isenção no ICMS. Como sempre, terceirizou.

 

Em um momento em que moradores de Fortaleza reviram caminhões de lixo em busca de sobras e cidadãos do Rio de Janeiro correm atrás de restos de carne e ossos antes distribuídos aos cachorros, esperava-se mais do presidente da República do que apenas gastar dinheiro público (que é isso o que é isenção de impostos) em produtos que, muito provavelmente, estarão próximos da data de validade. Isso sem contar que parte desses produtos podem ser ultraprocessados ao invés de comida de verdade

 

Redes de bancos de alimentos devem sim ser abastecidas, mas dentro de um projeto maior. Bolsonaro poderia, por exemplo, ampliar a compra de pequenos produtores e assentamentos da reforma agrária, responsáveis pela maioria da comida que consumimos, para distribuir a quem precisa usando estruturas de escolas, associações comunitárias, creches, restaurantes populares e entidades de assistência social.

 

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O que mata a fome e impede a miséria rural. Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado em setembro, recomendou a ampliação de recursos e a abrangência do Programa de Aquisição de Alimentos. Ele teve início em 2003, chegando a ter um aporte máximo de R$ 1,2 bilhões em 2012, mas vem caindo desde então. Organizações da sociedade civil denunciam um desmonte de políticas como essa pelo governo.

 

O "Comida no Prato", contudo, tem o jeitão do presidente de fazer política: terceirizar a responsabilidade de governar, centralizando esforços apenas no que lhe interessa: sua sobrevivência pessoal, sua reeleição e sua guerra ideológica particular.

 

Bolsonaro vai dizer que o seu carro-chefe para combater a fome são os R$ 400 do Auxílio Brasil - programa que está programado para funcionar dessa forma até o final do ano eleitoral.

 

 

 

Depois? Sei lá, se virem. Aliás, ele e o centrão estão usando a carestia dos mais pobres como justificativa para dar um calote em dívidas públicas e destinar mais recursos para as suas reeleições.

 

A fome tem um pai e ele se chama Jair.

 

Primeiro, caso ele não tivesse sabotado o combate à covid-19, a pandemia teria sido mais curta e a economia voltado ao normal antes, com menos mortos e menos desemprego.

 

 

 

Segundo, quando a crise apertou, Bolsonaro suspendeu o auxílio emergencial por 96 dias. E só o retomou após grande pressão social, com valores insuficientes para comprar 25% da cesta básica.

 

Terceiro, o dólar disparou devido à instabilidade criada pelo próprio presidente, que ameaçou um golpe de Estado, e pela falta de projeto de seu governo para a economia.

 

O dólar mais alto impactou no preço do petróleo e, portanto, do gás de cozinha e dos combustíveis e, por conseguinte, na inflação no preço dos alimentos.

 

De acordo com pesquisa da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, 19,1 milhões passaram fome em um universo de 116,8 milhões que não tiveram acesso pleno e permanente à comida no final de 2020.

 

 

 

População na extrema pobreza triplicou

durante a pandemia (Fotos: Reprodução)

 

Os famintos eram 9% da população, a maior taxa desde 2004. Os números, claro, já estão desatualizados.

 

Bolsonaro instrumentaliza a fome, mas tenta maquiar a sua origem, dizendo que ela é culpa de quem "quis ficar em casa" em meio a uma pandemia mortal, porque sabe que tem responsabilidade direta nela.

 

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Isso me lembra uma citação atribuída ao já falecido Hélder Câmara, arcebispo de Olinda e Recife, que lutou contra a ditadura amada por Jair e esteve sempre ao lado dos mais pobres: "Se falo dos famintos, todos me chamam de cristão, mas se falo das causas da fome, me chamam de comunista". Não à toa comunista virou palavrão entre os seguidores do presidente.

 

Fonte: Noticias.uol.com.br

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