23 de Abril de 2026

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Política - 26/02/2022

Bolsonaro cometeu erro gravíssimo de política externa na guerra da Ucrânia, diz diplomata

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Foto: Reprodução

O presidente brasileiro Jair Bolsonaro em visita ao túmulo do soldado desconhecido durante viagem a Moscou

A diplomacia brasileira viveu os seus piores dias nas últimas semanas, ao não condenar explicitamente a invasão da Ucrânia pela Rússia, na avaliação de Roberto Abdenur, conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais, o Cebri.

 

A primeira mensagem de tom duro veio do representante do país na ONU, Ronaldo Costa Filho, em reunião nesta sexta (25), na qual o país votou a favor de resolução para condenar a ação de Moscou —que acabou barrada pelo veto dos próprios russos.

 

Diplomata com 45 anos de carreira, com passagem pelo posto de embaixador em Pequim e Washington, Abdenur afirma que o presidente Jair Bolsonaro (PL) piorou a já comprometida imagem do Brasil na comunidade internacional ao declarar dias antes da guerra que "somos solidários à Rússia" —sem especificar a qual aspecto—, e o corpo diplomático não soube reagir. "O Itamaraty claramente se contorceu por pressão do Bolsonaro", afirma.

 

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Abdenur não acredita que o presidente Vladimir Putin tenha entre seus planos ir além da Ucrânia, mas está surpreso e preocupado com a escalada da tensão de ambos os lados. "Estamos vivendo uma ruptura na estrutura da chamada ordem internacional liberal, fundada nos princípios básicos da ONU e que preservou a paz no mundo desde o fim da Segunda Guerra Mundial, mesmo atravessando a Guerra Fria", diz. "É um abalo gravíssimo e vai ter repercussões."

 

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Como interpretar uma ação bélica tão enfática de Putin na Ucrânia, mesmo após inúmeros apelos de chefes de Estado? Se olharmos a história, houve dois acontecimentos traumáticos para a Rússia, mais ou menos ao mesmo tempo. A decomposição da União Soviética e a perda da Ucrânia, território que russos consideravam seu. Em dezembro de 1991, a Ucrânia fez um referendo, mais de 80% compareceram às urnas e mais de 80% votaram a favor da independência —inclusive as regiões do Leste, onde hoje estão as duas autoproclamadas repúblicas independentes.

 

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Somos solidários à Rússia, diz Bolsonaro em encontro com Putin - 16/02/2022  - Mundo - Folha

Fotos: Reprodução

 

Fonte: Folha de São Paulo

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