19 de Abril de 2026

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Mulher em pauta - 13/02/2026

Bolsa Família não afasta mulheres do mercado de trabalho, afirma Fundo Monetário Internacional

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Foto: Reprodução/Google

Mais de 84% das famílias atendidas pelo Bolsa Família em fevereiro são chefiadas por mulheres. A presença das mulheres na força de trabalho é decisiva para o desenvolvimento do país, mostra a pesquisa

Um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) colocou em perspectiva o impacto do Bolsa Família na força de trabalho, especialmente se referindo às mulheres. O resultado da pesquisa, publicada bateu novamente o martelo: o programa de transferência de renda não reduz sistematicamente a participação das mulheres na força de trabalho.

 

O atendimento ao público feminino é prioridade no Governo do Brasil, sobretudo nas políticas coordenadas pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). No âmbito da transferência de renda, os dados de fevereiro mostram que, das 18,84 milhões de famílias atendidas pelo Bolsa Família, mais de 15,9 milhões (84,38%) são chefiadas por mulheres. São elas, portanto, as responsáveis pela gestão e aplicação dos recursos recebidos.

 

Para responder se a transferência de renda estaria desencorajando as mulheres a ingressarem no mercado de trabalho, o FMI utilizou dados coletados na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A presença das mulheres na força de trabalho é decisiva para o desenvolvimento do país, mostra a pesquisa.

 

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Segundo estimativas publicadas pelo FMI, uma possível redução pela metade na diferença das taxas de participação na força de trabalho de homens e mulheres, de 20 para 10 pontos percentuais até 2033, poderia elevar o crescimento anual do Brasil em cerca de 0,5 ponto percentual durante esse período. O Fundo aponta ainda que a necessidade de cuidar da família e de desempenhar tarefas domésticas estão entre as principais razões que mantêm muitas mulheres fora da força de trabalho.

 

Economia do cuidado

 

 


No Brasil, as mulheres dedicam em média 9,8 horas a mais por semana ao trabalho de cuidado não remunerado do que os homens. Essa carga é ainda maior entre mulheres negras, que chegam a dedicar 22,4 horas semanais. É o que descobriu outro estudo, intitulado "Políticas para a Corresponsabilidade no Mundo do Trabalho", lançado em 2025, fruto de parceria entre o MDS e a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

 

A pesquisa traz um panorama detalhado sobre os impactos das responsabilidades familiares na trajetória profissional de trabalhadoras e trabalhadores, com foco na promoção da igualdade de gênero. Segundo o levantamento, 50% das mulheres deixam o mercado de trabalho até dois anos após o nascimento do primeiro filho, enquanto os homens, em média, aumentam seus rendimentos nesse mesmo período.

 

A pesquisa aponta caminhos possíveis para o Brasil enfrentar a crise global dos cuidados e transformar a realidade das trabalhadoras e trabalhadores com responsabilidades familiares. Entre as propostas, estão políticas integradas que assegurem o direito ao cuidado, ampliação dos serviços públicos de cuidados no território, além de medidas que incentivem a corresponsabilidade entre homens e mulheres.

 

Aumento de valor

 

 


A PNAD-Contínua ainda contribuiu para outro levantamento, conduzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), denominado "O efeito do aumento no valor das transferências de renda sobre a inserção dos beneficiários no mercado de trabalho", publicado em 2025. A pesquisa trabalhou sobre indicadores relativos ao aumento do valor mínimo do Bolsa Família, instituído desde 2023, e constatou que a mudança “não gerou um incentivo para que os trabalhadores migrassem de empregos formais para informais”. Conforme declarado por 34,4% do grupo participante, o principal fator para abandonar a força de trabalho foi a necessidade de “cuidar dos afazeres domésticos, do filho, ou de outro parente”.

 

Estímulo salarial

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 


Divulgado nesta semana, o estudo do FMI afirma que mulheres tendem ?a receber salários mensais 22% inferiores aos recebidos por homens (em comparações que levam em conta a escolaridade, a idade, a raça, o setor e o cargo). A avaliação dos especialistas é que essa disparidade pode levar mulheres – beneficiárias do Bolsa Família ou ?não –, a preferirem ficar em casa e cuidar dos filhos mais novos a ingressar no mercado de trabalho.

 
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O Fundo também apontou a ampliação do acesso a creches e serviços de assistência a idosos, ajustes na política de licença parental e a implementação eficaz da Lei da Igualdade Salarial como possíveis soluções para essa disparidade. Em conjunto, essas medidas poderiam promover um ambiente mais favorável para que as mulheres ingressem no mercado de trabalho e reforcem o potencial econômico do Brasil.

 

O Bolsa Família mira a redução da pobreza extrema e transfere, mensalmente, um complemento de renda para cada lar. O desenho do programa considera a composição das famílias, repassando um valor adicional por criança na primeira infância (R$ 150), por gestante, nutriz e jovem de até 18 anos incompletos (R$ 50). 

 

Fonte: com informações Gov

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