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Internacional - 23/05/2023

Biden e republicanos fracassam em acordo sobre dívida, e EUA podem dar calote inédito em investidores

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Foto: Doug Mills/The New York Times

Biden e republicanos fracassam em acordo sobre dívida, e EUA podem dar calote inédito em investidores.

O presidente americano Joe Biden e o líder da Câmara dos Deputados, o republicano Kevin McCarthy, retomaram na segunda-feira as truncadas negociações sobre o teto da dívida dos EUA. Ambos tentam chegar a um acordo para evitar um possível colapso econômico com um inédito calote nos investidores de títulos públicos. Apesar da expectativa em torno da conversa na Casa Branca, que acontece há pouco mais de uma semana do prazo final dado pelo Tesouro para resolver o imbróglio, as partes não chegaram a um consenso.

 

Durante o encontro, Biden, que acabou de retornar do G7 no Japão, enfatizou as consequências do calote nos investidores para a economia dos EUA e do mundo.

 

— A população americana levaria um golpe no seu bem-estar econômico. Na verdade, o resto do mundo também levaria — afirmou, embora tenha concordado com McCarthy que cortes nos gastos são necessários.

 

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Já o presidente da Câmara disse a repórteres que os dois lados ainda têm divergências a serem trabalhadas e enfatizou que é contra à proposta do democrata de aumentar os impostos para reduzir o déficit orçamentário. McCarthy, porém, afirmou que ambos concordam que é preciso "mudar a trajetória" para reduzir a dívida.

 

A secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, alertou nesta segunda-feira que o país pode ficar sem ter como pagar suas despesas a partir de 1º de junho, aumentando a pressão sobre Biden e McCarthy. O país atingiu o limite de endividamento, de US$ 31 trilhões (R$ 153 trilhões), em janeiro. Desde então, o Tesouro — que pega dinheiro emprestado com os investidores de títulos públicos para arcar com os gastos do governo — tem feito manobras extraordinárias para não furar o teto.

 

No entanto, os democratas, que comandam a Casa Branca e o Senado, e os republicanos, que têm uma maioria apertada no Congresso, até agora não chegaram a um consenso. De um lado, os republicanos criticam o excesso de gastos sociais do governo e ameaçam não aprovar o aumento no teto da dívida caso Biden se negue a cortar despesas. Do outro, o democrata corre contra o tempo para renegociar o limite de endividamento e garantir que os EUA continuem sendo referência como credores na economia global — e não fiquem sem dinheiro para gastar justamente próximo da sua campanha à reeleição para a Casa Branca, em 2024.

 

 

Durante as negociações, Biden sugeriu que fossem cortados gastos militares do Pentágono, mas McCarthy defendeu que a segurança do povo americano não deveria ser comprometida. Para o republicano, a redução precisa ser feita em frações menos significativas do orçamento federal, em áreas como educação, meio ambiente e programas sociais.

 

A ameaça de um default, como a prática é conhecida, já tem abalado o mercado internacional, elevando o valor dos seguros para os títulos americanos em relação a papeis de países de maior risco, como o Brasil, que têm classificações de crédito muito abaixo da nota AAA dos EUA. Os pagamentos aos investidores foram autorizados anteriormente pelo Executivo e pelo Legislativo, mas não há recursos suficientes para executá-los se o teto da dívida não for elevado.

 

A mera desconfiança de que os Estados Unidos não honrarão com os pagamentos tem provocado pânico no mercado de Treasuries, como são conhecidos os títulos do governo americano, que movimenta US$ 24 trilhões (R$ 118 trilhões).

 

Fotos: Reprodução

 

Mesmo uma inadimplência técnica, ou seja, um atraso no pagamento dos juros, pode ter grandes repercussões no sistema financeiro global, sobretudo pela dependência de muitas nações do dólar emitido pelos EUA para suas transações comerciais. No mercado interno, a imprensa americana tem afirmado que o calote pode gerar uma onda de desemprego e encarecer os custos dos empréstimos para o governo e para a população.

 

Um cenário de crise econômica no horizonte representa uma enorme pedra no sapato de Biden, e a oposição sabe disso. Segundo o democrata, os republicanos — em especial os apoiadores do ex-presidente Donald Trump, principal nome do partido para concorrer às eleições — estão dispostos a sabotar a economia para prejudicá-lo.

 
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— Eu acho que há alguns republicanos extremistas na Casa que sabem o dano que isso faria à economia, e por que eu sou presidente, e um presidente é responsável por tudo, Biden assumiria a culpa e esse é um caminho para garantir que Biden não será reeleito — disse na cúpula do G7, no Japão, viagem que teria uma parada depois na Austrália e em Papua Nova-Guiné, mas foi encurtada por causa das negociações com o Congresso.

 

Biden e McCarthy falaram por telefone no domingo, enquanto o democrata retornava a Washington. O líder da Câmara avaliou a conversa como "produtiva", segundo a imprensa americana, e indicou que suas equipes teriam retomado as discussões — o primeiro aceno positivo após semanas de debates calorosos que ainda não chegaram a lugar nenhum.

 

Fonte: com informações do Portal o Globo 

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