Para Bernard, há uma lógica econômica e social nessa escolha: as mulheres são o pilar das famílias, tomam decisões mais seguras e reinvestem seus recursos no lar, fortalecendo a base comunitária.
O Ela Podcast recebeu Bernard Martins, da Fundação DOIMO, para uma conversa que uniu memória, urbanismo, cultura e impacto social. Com mais de 13 anos dedicados ao restauro patrimonial e ao empreendedorismo de impacto, Bernard trouxe detalhes exclusivos sobre a restauração do Palácio Rio Branco, um dos marcos históricos mais emblemáticos do centro de Manaus.
A Fundação DOIMO, conhecida por priorizar ações que fortalecem o papel das mulheres na economia, tem em sua trajetória mais de quatro mil inquilinos e lojistas, sempre com ênfase na autonomia feminina. Para Bernard, há uma lógica econômica e social nessa escolha: as mulheres são o pilar das famílias, tomam decisões mais seguras e reinvestem seus recursos no lar, fortalecendo a base comunitária.
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O desafio e o simbolismo do restauro
Construído no início do século XX, o edifício carrega a memória de uma Manaus que despontava como uma das cidades mais modernas do mundo durante o ciclo da borracha. O palácio já foi sede do Poder Legislativo e hoje é um símbolo de identidade cultural.
Bernard enfatizou que o restauro não é uma ação isolada. Ela acompanha uma estratégia ampla: a revitalização completa do centro histórico de Manaus. A Fundação DOIMO também é responsável pela implantação do Mercado de Origem da Amazônia, no Boothline— prédio que carrega sua própria história vibrante. “Estamos fazendo a nossa parte como terceiro setor”, destacou Bernard. “Queremos não só restaurar, mas ocupar o centro com atividades culturais e econômicas, trazendo a população de volta para onde Manaus nasceu.”
O resgate de ofícios que estão desaparecendo

Fotos: Divulgação/Portal Mulher Amazônica
Um dos pontos mais sensíveis da entrevista foi o desafio da mão de obra especializada. Bernard explicou que encontrar profissionais que dominem técnicas antigas — marceneiros, carpinteiros, restauradores — tornou-se cada vez mais difícil. Esses ofícios estão desaparecendo em todo o mundo, e isso impacta diretamente projetos de restauro.
Por isso, muitas vezes a Fundação DOIMO precisa não apenas contratar, mas formar novos profissionais. “Muitas vezes eu tenho que ensinar alguém a fazer o restauro da forma correta, como era antigamente”, relatou. Esse processo, segundo ele, faz parte da preservação dos saberes tradicionais e da responsabilidade social do projeto.
O Palacete anexo e o futuro hub criativo
Durante a entrevista, Bernard revelou um dos planos mais inspiradores: transformar um dos palacetes anexos em um hub criativo. O espaço será voltado para exposições, lançamentos de livros, mostras de arte, apresentações culturais e eventos que valorizem a produção amazônica. Além disso, contará com um showroom de móveis de design brasileiro, de alta decoração, patrocinado pela indústria parceira. A proposta é unir tradição, criatividade e inovação, tornando o centro de Manaus novamente um polo cultural pulsante. “Queremos um espaço vivo, que reúna artistas, pintores, designers e criadores. Um lugar em que a arte e o patrimônio dialoguem”, disse Bernard.
Pertencimento: o verdadeiro impacto social
Ao final da entrevista, Bernard trouxe uma reflexão emocionada sobre o que espera que as famílias sintam ao entrar no Palácio restaurado. Mais do que beleza, ele deseja despertar orgulho. “Quero que a criança entre e diga: ‘Papai, que lugar lindo! Nossa cidade é maravilhosa. Eu quero ficar aqui.’Para ele, esse sentimento de pertencimento é o maior efeito social de um restauro: fazer com que as pessoas se reconheçam na própria história e escolham permanecer, trabalhar, viver e construir seu futuro em Manaus. O Palácio deve ser, segundo Bernard, um espaço da família manauara, da família amazônica e também do mundo — afinal, Manaus é uma porta aberta da Amazônia para o planeta.
Agradecimento e reconhecimento
O Portal Mulher Amazônica e o Ela Podcast agradeceram profundamente a presença de Bernard Martins, cuja visão e dedicação transformam o restauro do Palácio Rio Branco em muito mais do que uma obra física: trata-se de um gesto de amor pela cidade, pela cultura e pela história amazonense. A entrevista encerrou com o reconhecimento à Fundação DOIMO pela condução exemplar desse projeto emblemático, que devolve ao Palácio Rio Branco sua imponência e sua relevância no coração de Manaus — e na memória do povo amazonense.
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