Para a ministra, a proposta apresentada pelo presidente Lula durante a inauguração da Cúpula ? a elaboração de um Mapa do Caminho ? é indispensável para orientar os próximos passos.
A discussão sobre o abandono dos combustíveis fósseis, maior motor das mudanças climáticas no planeta, ganhou força na COP30. Mesmo sem constar na pauta formal das negociações, o tema ocupou o centro dos debates promovidos pelo governo brasileiro. A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, afirmou que a expectativa é que a Cúpula de Belém resulte em uma espécie de “mandato” internacional para iniciar a construção do Mapa do Caminho rumo à descarbonização global.
O evento reuniu cientistas, economistas e representantes de governos da África, América Latina, Europa e Ásia. A intenção foi retomar o avanço do Consenso dos Emirados Árabes, firmado na COP28, em 2023, no qual os países se comprometeram a iniciar a transição para longe dos fósseis, compromisso que pouco evoluiu desde então.
Na abertura, Marina Silva destacou que o mundo está diante de um impasse histórico. Ela questionou como as nações podem, de forma conjunta e concreta, romper a dependência dos combustíveis fósseis — responsável pela maior parte das emissões globais de gases de efeito estufa. Para a ministra, a proposta apresentada pelo presidente Lula durante a inauguração da Cúpula — a elaboração de um Mapa do Caminho — é indispensável para orientar os próximos passos.
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Marina frisou que o planeta já vive uma “pedagogia do luto e da dor”, marcada por ondas de calor, secas extremas e eventos violentos, como o tornado registrado no Paraná na semana passada. Esses sinais, segundo ela, evidenciam a urgência de superar a era dos fósseis de forma justa, ordenada e planejada. O mapa, disse, servirá como bússola para que a transição seja construída coletivamente, sem deixar países ou populações para trás.
Após o debate, que teve entre os participantes Nicholas Stern, referência mundial em economia do clima, Marina conversou com jornalistas. A ministra explicou que o Brasil busca inserir o Mapa do Caminho em alguma trilha formal de negociação da Conferência — especialmente no Balanço Global (GST), cuja próxima rodada ocorre em três anos. Caso o país consiga, o processo de descarbonização poderá ganhar um novo marco diplomático.

O esforço brasileiro, porém, não se dá isoladamente. Organizações e representantes estrangeiros demonstraram apoio explícito ao plano. O vice-ministro do Meio Ambiente da Alemanha, Jochen Flasbarth, afirmou que seu país apoiará qualquer decisão que dê início oficial ao Mapa do Caminho ainda na COP30, considerando-o um sinal político essencial.
A Dinamarca seguiu na mesma linha. O embaixador Ole Thonke lembrou que o Brasil já liderou a construção de um modelo de financiamento climático — conhecido como “US$ 1,3 trilhão” — após a COP29, e disse ver potencial para replicar aquela experiência agora, orientando a transição global para longe dos fósseis.

O Reino Unido também endossou a iniciativa. Para Rachel Kyte, enviada especial para Mudança do Clima, o mapa será fundamental para que cada nação possa trilhar sua própria jornada energética. Ela destacou que o caminho de países como Angola, Brasil, Dinamarca ou Reino Unido será distinto, mas todos têm o mesmo compromisso final: reduzir a dependência de petróleo, gás e carvão.
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Fotos: Reprodução/Google
O tema aparece paralelamente em outros espaços da COP30. Na próxima segunda-feira (17), a Colômbia deve divulgar a “Declaração de Belém Sobre Combustíveis Fósseis”, que reúne a assinatura de ao menos 50 países. Outro movimento, o Tratado de Não-Proliferação de Combustíveis Fósseis, também pressiona por um acordo global que coloque fim à expansão da indústria fóssil.
Enquanto negociações formais e informais se cruzam, a mensagem que ecoa em Belém é a de que o tempo está se esgotando. Para Marina Silva, preparar-se para a mudança é o único caminho possível: quando não nos preparamos para mudar, somos mudados. E a COP30 pode ser o momento decisivo para transformar essa mudança em política global.
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