A seguir, apresentamos os detalhes dessa novidade, sua importância, os dados que motivam o avanço e o impacto esperado.
Recentemente, o oncologista Fernando Maluf, em entrevista à BandNews TV, destacou uma relevante conquista para o Brasil no combate aos tumores ginecológicos: a aprovação de uma nova medicação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para tratamento de câncer de ovário resistente à quimioterapia padrão. A seguir, apresentamos os detalhes dessa novidade, sua importância, os dados que motivam o avanço e o impacto esperado.
O que foi aprovado e para quem
Em 1º de setembro de 2025, a ANVISA aprovou o uso do medicamento mirvetuximabe soravtansina (nome comercial: Elahere) para o tratamento de pacientes adultas com carcinoma epitelial de ovário, de tuba uterina ou primário de peritônio, que sejam FRα-positivas (alto nível de expressão do receptor alfa de folato) e que tenham demonstrado resistência ao tratamento com quimioterapia à base de platina.
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Trata-se da primeira terapia aprovada no Brasil que se dirige especificamente a esse perfil de tumor (resistente à platina + marcação de receptor FRα). O mecanismo do medicamento: trata-se de um conjugado anticorpo-droga (ADC) — o anticorpo reconhece o receptor FRα nas células tumorais, libera uma carga citotóxica que atua de forma mais específica, poupando mais as células saudáveis.
Por que isso é importante

Tumores ginecológicos representam um desafio significativo no Brasil. Por exemplo: o Câncer de Ovário — tratável dentro deste contexto — é frequentemente diagnosticado em estádio avançado, o que reduz drasticamente as chances de cura.
Dados relevantes:

Estima-se mais de 7.000 novos casos de câncer de ovário por ano no Brasil para o triênio 2023-2025. Em 2020, foram estimados 6.650 novos casos, o que representa cerca de 3% de todas as neoplasias femininas no país.
Na avaliação de um estudo, 67% das pacientes com câncer de ovário no Brasil já estavam em estágios III ou IV no diagnóstico. Portanto, a aprovação de uma terapia específica para casos mais difíceis (resistentes à platina) representa um avanço clínico importante — abre nova opção para pacientes que tinham poucas alternativas eficazes. Além disso, demonstra a evolução da oncologia de precisão no Brasil, onde se considera o perfil molecular (receptor FRα) para selecionar pacientes — o que tende a melhorar eficácia e reduzir efeitos colaterais.
Impactos esperados
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Ampliação de opções de tratamento para pacientes com câncer de ovário resistente à platina. Potencial melhoria de sobrevida e qualidade de vida para esse grupo de pacientes: no estudo que levou à aprovação foram observados ganhos significativos em sobrevida ou na progressão da doença.
Importância de que os laboratórios realizem o teste de expressão de receptor FRα nas pacientes elegíveis — somente assim saber-se-á quem pode se beneficiar da medicação. Pressão para que planos de saúde e o sistema público (Sistema?Único?de?Saúde, SUS) façam o acesso possível, já que se trata de terapia de alta complexidade e custo elevado.
Possível incentivo à pesquisa nacional para adoção de tratamentos personalizados em oncologia ginecológica — além de conscientização sobre a necessidade de diagnóstico precoce e rastreamento adequado, embora este último ainda seja limitado para o câncer de ovário.
O que ainda precisa de atenção

Fotos: Reprodução/Google
Rastreio: até agora, não existe um programa de rastreamento eficaz para câncer de ovário em mulheres assintomáticas, ao contrário de outros tumores ginecológicos como o de colo do útero. Diagnóstico tardio: como vimos, a maioria dos casos chegam em estágios avançados, o que torna o tratamento mais difícil. A cobertura e o acesso ao novo medicamento — questões de custo, aprovação de cobertura por planos, inclusão no rol de medicamentos do SUS ou mecanismos de incorporação no sistema público. Por exemplo, embora o medicamento tenha aprovação regulatória, ainda há discussão sobre integração no sistema de saúde suplementar.
Importância de apoio multidisciplinar e acesso a serviços de oncologia de referência — cirurgia especializada, quimioterapia, acompanhamento genético quando indicado, etc. Comunicação e conscientização com a população feminina: saber que “novo tratamento aprovado” não significa para todo caso, mas para casos específicos com critérios definidos — e que ainda assim a adoção depende de diagnóstico correto, testes moleculares e acesso.
A aprovação do mirvetuximabe soravtansina (Elahere) pela ANVISA representa um marco no tratamento de tumores ginecológicos, particularmente do câncer de ovário em cenário de resistência à platina. É uma conquista bastante importante, pois chega num momento em que a doença ainda representa elevado risco, diagnóstico tardio e poucas alternativas em casos avançados. Porém, este avanço não elimina os desafios: a necessidade de diagnóstico precoce, teste molecular adequado, acesso à terapia, equidade no cuidado e fortalecimento da oncologia ginecológica no país permanecem como vetores críticos. Este é, sem dúvida, um passo significativo — e esperamos que gere uma onda de melhorias no cuidado de mulheres com tumores ginecológicos no Brasil.
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Fontes Confiáveis:
1. “Câncer de Ovário: O Tumor Ginecológico Mais Letal e Os Novos Caminhos da Imunoterapia” – FORBES Brasil, 24 de junho de 2025. Link
2. “Câncer de ovário: prevalência e desafios no Brasil” – Hospital de Amor, 7 de março de 2024. Link
3. “Panorama do câncer ginecológico no Brasil” – SBOC Review (Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica) / artigo JCO Global Oncology, 2020. Link
4. “ANVISA aprova novo tratamento para câncer de ovário resistente à quimioterapia” – site CFF (Conselho Federal de Farmácia), 3 de setembro de 2025.
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