No dia 8, quando mulheres estavam nas ruas do país em manifestações em defesa da vida das mulheres, em Carauari, a 789 quilômetros de Manaus, mais uma mulher foi assassinada, pelo marido.
O Estado do Amazonas é o segundo em nível nacional com o maior número de assassinato de mulheres e de violência doméstica contra a mulher. No ano passado, foram registrados 1.023 que na comparação com o ano de 2024 representa aumento de 69%. No dia 8, quando mulheres estavam nas ruas do país em manifestações em defesa da vida das mulheres, em Carauari, a 789 quilômetros de Manaus, mais uma mulher foi assassinada, pelo marido.
A situação estadual exige posicionamento firme na deliberação de ações que tenham permanência e vigor no enfrentamento à violência contra a mulher com envolvimento real dos governos nos três níveis (federal, estadual e municipal). Há um espaço, nos municípios, ocupado principalmente por uma estrutura que contempla a violência de gênero e até naturaliza.
As políticas públicas de caráter nacional são desconfiguradas ou mesmo desmanteladas quando nos municípios por uma série de motivos. O principal deles é a falta de determinação em valorizar a pauta da violência doméstica e da violência estrutural contra as mulheres. Os espaços de poder, como as câmaras municipais e as prefeituras, podem e devem promover iniciativas de enfrentamento, organizar e implementar, a partir das especificidades dos municípios, políticas públicas que tenham como ponto central a prevenção e o combate à violência doméstica.
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Tais iniciativas, difíceis de serem percebidas nos municípios, não deveriam ser tratadas como ocasionais. Esse é outro aspecto, a falta de permanência dos programas impacta na consolidação de iniciativas que promovam a cultura do respeito e do cuidado das mulheres. Com a marca do machismo que caracteriza a história brasileira e amazonense, o recuo ou o enfraquecimento das ações representam a vontade política de manter os meios pelos quais essa violência se concretiza.

Fotos: Reprodução/Google
Os números da violência no Amazonas parecem não incomodar as representações dos poderes. No domingo, as manifestações em Manaus chamavam atenção para as violências que o Estado não vê e se acumulam ano após ano. O pós 8 de março de 2026 exige respostas que demonstrem de fato uma outra postura diante da tragédia que mancha de sangue o Estado do Amazonas e das ameaças com as quais as mulheres vivem de modo cotidiano, sozinhas e desprotegidas.
Fonte: com informações Acrítica
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