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Mulher em pauta - 09/02/2025

As mulheres no centro do mercado de tatuagens clandestinas da Coreia do Sul

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Foto: Reprodução/Google

Na Coreia do Sul, apenas médicos podem tatuar pessoas ? tatuadoras dizem que isso as deixa vulneráveis e querem uma mudança na lei.

Narr trabalhava como tatuadora na Coreia do Sul há dois anos quando teve uma experiência assustadora. "Quando a sessão de tatuagem estava prestes a terminar, pedi ao cliente para verificar a tatuagem no espelho", diz ela. "Em vez disso, ele começou a abrir o zíper da calça, revelando que não estava usando cueca."

 

Narr educadamente disse a ele para subir o zíper e saiu da sala, mas quando voltou, ele ainda estava se exibindo. "Ele disse algo como: 'Você quer fazer um filme comigo? Temos uma cama e não tem ninguém aqui'", diz ela. "Fiquei realmente assustada." "Eu disse a ele para parar de brincadeira. Respondi casualmente porque tinha medo de que mostrar raiva ou medo pudesse piorar as coisas. E se isso acontecesse, eu não teria conseguido denunciar à polícia."

 

Narr não se sentiu capaz de ir à polícia porque, desde uma decisão da Suprema Corte de 1992, a tatuagem foi classificada como um procedimento médico na Coreia do Sul. Na prática, isso significa que é preciso ter uma licença médica para fazer uma tatuagem.Qualquer pessoa que fizer uma tatuagem sem credenciais médicas enfrenta penalidades severas, incluindo até cinco anos de prisão ou uma multa de até 50 milhões de wons coreanos (US$ 35 mil ou R$ 203 mil).

 

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Não há estatísticas oficiais sobre quantos tatuadores foram processados, mas o Sindicato da Tatuagem da Coreia do Sul diz que dá suporte legal a pelo menos 50 a cada ano e acredita que há muitos mais casos anualmente – possivelmente centenas – que tendem a acabar em multas. Apesar das regras, a grande maioria dos tatuadores na Coreia do Sul, como Narr, não são médicos licenciados.

 

De acordo com uma estimativa aproximada do Ministério da Saúde e Bem-Estar, em 2021, havia cerca de 350 mil tatuadores no país, com a maioria se especializando em maquiagem semipermanente para áreas como sobrancelhas, lábios e linha do cabelo. Excluídos esses tatuadores semipermanentes, o número cai para algo entre 20 mil e 30 mil, de acordo o Sindicato da Tatuagem.Nos últimos anos, os tribunais sul-coreanos absolveram vários profissionais não médicos por tatuar, sinalizando uma mudança de atitudes e agora há cada vez mais pedidos de mudança na legislação.

 

No ano passado, tanto o Partido do Poder Popular (PPP) quanto o principal partido da oposição, o Partido Democrático da Coreia (DPK), apresentaram projetos de lei sobre tatuadores, que visam tornar legal para não médicos fazer tatuagens. "Muitas vezes penso que o congresso é o último lugar que reflete adequadamente a opinião pública", diz o representante do DPK, Kang Sun-woo, que apresentou um projeto de lei semelhante em janeiro. Ela acrescenta que apenas 1,4% das pessoas na Coreia do Sul com tatuagens as fizeram com um profissional médico, ressaltando a necessidade de uma reforma legal.

 

Fotos: Reprodução/Google

 

No entanto, a Associação Médica Coreana (KMA) divulgou recentemente uma declaração expressando forte oposição e séria preocupação com as propostas. A associação afirmou que "a tatuagem não apenas danifica a pele, mas também pode representar outros riscos à saúde, incluindo interferência no diagnóstico de câncer", acrescentando que "a tatuagem é fundamentalmente um procedimento médico, e sua crescente popularidade não reduz os riscos associados".

 

Se a legislação for aprovada, ela deve ser acompanhada por regras claras sobre licenciamento e "regulamentações rígidas para garantir que a tatuagem seja feita de maneira higiênica e segura" para proteger os clientes, diz Lee Kwang-jun, dermatologista e membro da KMA.Incluindo tratamentos semipermanentes, um quarto das pessoas no país fez tatuagens, de acordo com uma pesquisa de junho de 2021 realizada pela Gallup Korea. Quando os tratamentos semipermanentes são excluídos, o número cai para 5%.

 
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Além de proteger os clientes, as novas leis também protegeriam tatuadores como Narr. Ela finalmente conseguiu persuadir o cliente que se expôs a ir embora, mas a provação teve um papel em sua decisão de fechar seu estúdio solo alguns meses depois. Agora, ela trabalha em um estúdio compartilhado com vários outros tatuadores. 

 

Fonte: com informações G1

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