Ao apresentar documentos complementares à Junta Médica nessa terça-feira, 2, o servidor público relata ter sofrido preconceito por ter transtorno do espectro autista (TEA).
Kayck Richard, de 28 anos, foi aprovado em primeiro lugar na primeira etapa do processo seletivo para agente de combate a endemias, realizado pela Prefeitura de Boa Vista. Ao apresentar documentos complementares à Junta Médica na terça-feira, 2, o servidor público relata ter sofrido preconceito por ter transtorno do espectro autista (TEA).
Em denúncia feita ao Conselho Regional de Medicina (CRM-RR) logo após o ocorrido, ele afirma que, ao analisar o laudo de sanidade mental e comprovação do autismo de Kayck, a médica Márcia Cristina Barbi disparou: “Não está batendo. Como você quer trabalhar com o público tendo laudo de autismo? Você sabe que vai ter que lidar com pessoas? Que vai precisar entrar na casa delas?”, diz fala atribuída pelo candidato à médica em denúncia ao CRM.
Na queixa, Kayck Richard destaca que já atua como assistente de aluno em uma escola da Prefeitura de Boa Vista e foi aprovado em outros concursos no Estado, sem apresentação do laudo de TEA.
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Foto: Kayck Richard (Arquivo pessoal)
“Sempre fui muito elogiado pelo meu trabalho. Em um primeiro momento pensei em desistir desse cargo. Ressalto que nunca precisei de laudo para entrar nos concursos do CRF [Conselho Regional de Farmácia-RR], CRT-1 [Conselho Regional dos Técnicos Industriais da 1ª Região] e MPRR [Ministério Público do Estado de Roraima]. Basicamente ela exigiu um atestado de sanidade mental, especificando os motivos que declaram a minha aptidão ao cargo”.
O servidor público conta ainda que a médica solicitou novo laudo de sanidade mental, dessa vez assinado por um psiquiatra. Além de pedir outra avaliação médica que comprove o transtorno do espectro autista, pois o apresentado era de 2022.
“Fiquei sem reação. O que as pessoas acham que autismo é? Uma condição que me deixa trancado dentro do quarto o dia inteiro? Eu estudo, até ontem atuava como assistente de aluno no município. Tenho amigos, uma vida como qualquer ser humano possui. Jamais esperava ouvir isso de um profissional de saúde”, desabafou Kayck.
Capacitismo
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O capacitismo é um tipo de preconceito ou discriminação que acontece quando as pessoas com deficiência ou neurodiversas são tratadas de maneira injusta, desrespeitosa ou inferior, pela sua condição. Nas redes sociais, a página Autismo Roraima, que reúne ativistas pela defesa dos direitos deste público no Estado, se posicionou contra a atitude da médica.
“A médica foi capacitista sim. Viu o laudo e logo o julgou como incapaz de exercer o cargo. Um preconceito que atinge a todos e leva muitos autistas a esconder quem são”, disse a fisioterapeuta Lauricéia Carneiro, administradora da página e ativista pelos direitos de pessoas com autismo.
“A pessoa tem uma visão estereotipada dos autistas. Que são pessoas incapazes de realizar qualquer serviço. Às vezes, você se surpreende quando um autista é capaz de cantar, tocar, trabalhar. Convive com ele, elogia o trabalho, mas quando descobre o TEA, começa a questionar o trabalho”, completou.
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Fotos: Reprodução Google
Sindicância
Em nota, o Conselho Regional de Medicina de Roraima (CRM – RR) informou que será aberta uma sindicância para investigar a denúncia, e somente após a apuração do caso, serão tomadas as medidas adequadas. “As denúncias recebidas pela instituição são investigadas por meio de sindicância para apurar se há ou não indícios de infração ao Código de Ética Médica, e, posteriormente, são tomadas as medidas cabíveis”, diz a nota.
Fonte: com informações da Revista Cenarium
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