Tentando furar polarização, Ciro deve manter ataques a petista e campanha de Tebet comemora não ter 'desidratado'
A pesquisa Ipec de segunda-feira que mostrou um cenário de estabilidade na corrida eleitoral pelo Palácio do Planalto foi recebida com euforia pela equipe do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que, segundo o levantamento, aparece com 15 pontos de vantagem na liderança. Com a expectativa de um impacto positivo dos atos de 7 de Setembro, a campanha de Jair Bolsonaro (PL), por sua vez, optou por minimizar o resultado e desacreditar os números.
No entorno de Lula, a avaliação é que o resultado da pesquisa reforça o entendimento de que a melhor estratégia neste momento é buscar o chamado "voto útil", de eleitores que hoje optam por Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB), que aparecem longe dos dois líderes. Entretanto, embora o ex-presidente tenha dito publicamente, há uma semana, que falta "um tiquinho" para vencer em 2 de outubro, o petista admitiu a pessoas próximas que essa é uma eleição de dois turnos. Para liquidar a disputa na primeira etapa é preciso que o candidato receba mais da metade do votos válidos.
Na reta final da campanha, o PT pretende tentar aumentar a mobilização de rua em estados-chave, como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Rio Grande do Sul. Há uma leitura interna da campanha que é necessário mais gente na rua defendendo o nome do Lula e ajudando no convencimento de eleitores indecisos.
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— A campanha nas redes é importante, mas nada substituiu o olho o olho — afirma o ex-governador do Piauí Wellington Dias (PT-PI).
A estratégia petista tem como objetivo também se contrapor às mobilizações que levaram multidões às ruas de Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro no 7 de Setembro, quando Bolsonaro pegou carona na comemoração do Bicentenário da Independência do país para fazer campanha eleitoral.
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Integrantes da campanha bolsonarista minimizaram a pesquisa Ipec e afirmam que não estão levando os dados em consideração para traçar estratégias na reta final a disputa. De acordo com eles, sondagens internas — que não podem ser divulgadas porque não têm registro no Tribunal Superior Eleitoral e não seguem os mesmos critérios de institutos tradicionais — apontam uma distância menor entre o presidente e Lula, de cerca de seis pontos percentuais.
Integrantes do governo e aliados têm usado as redes sociais para contestar os resultados de pesquisas que mostram desvantagem do presidente em relação ao petista. Um dos principais argumentos são as imagens dos atos bolsonaristas ocorridos em 7 de Setembro, que mostrou um grande contingente de apoiadores do atual titular do Palácio do Planalto.
Ciro e Simone

Na campanha de Ciro Gomes (PDT), que oscilou um ponto para baixo na pesquisa, indo de 8% para 7%, o discurso é que a estratégia adotada pelo candidato de ataques a Lula e a Bolsonaro será mantida. Segundo integrantes da equipe do pedetista, o plano é tentar furar a polarização, uma vez que Ciro aparece no levantamento como segundo opção de voto tanto de eleitores petistas quanto de bolsonaristas.

Fotos: Reprodução
— É uma estratégia que Ciro apostou, não sou a favor nem contra. Apoiamos. E ele tem marqueteiro, tem estrategista, ou seja, tem toda essa cobertura que lhe dá esse aval — diz o secretário-geral do PDT, Manoel Dias.
Embora estagnada no patamar de 4% das intenções de voto, a campanha de Simone Tebet (MBD), por sua vez, destaca o fato de ela ao menos não ter "desidratado" nesta altura da disputa, faltando menos de 20 dias para as eleições. Com esse desempenho, uma das estratégias da candidata deve ser tentar tornar-se mais conhecida junto aos eleitores no Nordeste.
Fonte: Portal OGlobo
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