É o segundo caso de pessoa sem doença terminal que conseguiu passar pelo procedimento na Colômbia. Na sexta-feira (07/01), homem de 60 anos morreu da mesma forma.
Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (CESCR), comunicou por meio de nota, a morte de Martha Sepúlveda de 51 anos, diagnosticada com esclerose lateral Amiotrófica (ELA), doença grave e incurável. O óbito ocorreu no Instituto Colombiano de Dor (INCODOL), localizado na cidade de Medellín, Colômbia.
Segundo a organização, Martha, concordou com a pratica de eutanásia, falecendo segundo suas crenças de autonomia e dignidade.
"Martha partiu agradecida com todas as pessoas que a acompanharam, apoiaram, oraram por ela, trocando palavras de amor e empatia durante esses meses difíceis", acrescentado comunicado.
Veja também
.jpg)
Na Síria, 2022 começa com escalada da violência e morte de crianças
Tiroteio durante show de Maiara e Maraísa deixa 5 feridos em Angra
Prática de Eutanásia na Colômbia
Na década de 1997 a pratica de eutanásia foi descriminalizada, criando apenas a lei que vigorou no ano de 2015, aberto para pacientes que sofriam de doença terminal.
O tribunal Constitucional do país, decretou em julho de 2021, aberta a pratica do procedimento, a toda pessoa que comprovasse sofrer com intensas dores físicas e mentais, dada por doença ou lesões corporais, diagnosticadas como incuráveis.

A paciente Martha Sepúlveda, foi a segunda pessoa a ser autorizada a pratica devido as condições de saúde, por sofrer esclerose lateral Amiotrófica.
O procedimento
O processo de Sepúlveda estava marcado para 10 de outubro, no entanto, o Instituto INCODOL, anunciou a antecipação para 36 horas antes do previsto.
Em argumento a Comissão Científica Interdisciplinar pelo Direito de Morrer com Dignidade, decidiu por voto o cancelamento do procedimento, ao determinar que o critério de permissão não foi cumprido, conforme tinha sido considerado pela primeira comissão, que avaliou o caso.
A Justiça colombiana revogou a suspensão do procedimento no fim de outubro, ordenando ao Instituto Colombiano de Dor, que cumprisse com o acordo junto a Comissão Científica Interdisciplinar para morrer dignamente, reafirmada no dia 6 de agosto de 2021.
Em resolução, o juiz do caso, afirmou através dos especialistas que a paciente cumpria com os requisitos para exercer seu direito de morrer, por meio da eutanásia.
O magistrado considerou que o INCODOL violou "os direitos fundamentais de morrer com dignidade, a uma vida digna, ao livre desenvolvimento da personalidade e da dignidade humana de Martha Sepúlveda", solicitando uma nova data para a conclusão da eutanásia.
O caso gerou um amplo debate no país sobre o direito pela opção da morte assistida.
Em setembro de 2021, a Rede de Tv, Caracol Internacional, transmitiu a entrevista com Sepúlveda, relatando sobre o caso clinico de saúde e as dificuldades em realizar o procedimento.

Fotos: Reprodução
"Sobre o plano espiritual, estou totalmente tranquila. Serei covarde, mas não quero mais sofrer, estou cansada. Luto para descansar", declarou.
De acordo com a Martha, a certeza de que logo descansaria, ao conseguir a eutanásia, traria paz a ela.
"Sou católica e me considero uma pessoa muito crente. Mas Deus não quer me ver sofrer. Com a esclerose lateral no estado em que me encontro, a melhor coisa que pode me acontecer é que eu descanse", reforçou.
O filho de Martha declarou em entrevista à BBC News, que após o surgimento da doença, a vida de Sepúlveda se tonou um tormento. A revelação de que fosse possível acabar com o sofrimento, deu esperança a mãe.
Segundo caso de eutanásia em paciente que não é terminal
Na sexta-feira (07/01), um dia antes da eutanásia ser aplicada a Sepúlveda, um outro paciente se tornou o primeiro a receber o procedimento no país, e na América Latina, sem ter uma doença terminal.
Victor Escobar, um motorista colombiano de 60 anos, sofria de várias doenças degenerativas incuráveis, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e hipertensão, além de ter sofrido dois acidentes vasculares cerebrais (AVCs), nos anos de 2007 e 2008.
Na juventude, tinha sofrido acidente de carro, o levando a passar por três cirurgias na coluna. Nos últimos anos de vida, ele tinha diversos problemas de mobilidade e precisava de oxigênio diariamente.
Fonte: G1
Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.