À esquerda, Kethilyn Vitória, de 8 anos, e à direita, Severina Silvério, de 70 anos
MANAUS (AM) – No Quilombo do Mituaçu, em Conde, município localizado na Paraíba, duas gerações deram o primeiro passo no mundo digital. A inauguração do Laboratório de Informática Mituaçu, que integra o Programa Computadores para Inclusão e os projetos Cultura Conectada e Eixo Afro-Digital, do Ministério das Comunicações, representou um marco histórico para a comunidade, oferecendo acesso à tecnologia e oportunidades de aprendizado para crianças, jovens e idosos.
Aos 70 anos, a quilombola Severina Silvério tocou em um computador pela primeira vez. “Nunca. Esta é a primeira vez que coloco as mãos em um computador”, disse ela, emocionada, ao explorar o teclado e descobrir o mundo digital. Ao mesmo tempo, Kethilyn Vitória, de 8 anos, digitou as primeiras letras de seu nome, encantada com cada tecla que tocava.
Nascida e criada no Quilombo Mituaçu, Severina foi uma das primeiras a chegar à inauguração do laboratório de informática, curiosa para conhecer o novo espaço. Na comunidade, onde o acesso à tecnologia é limitado e as oportunidades de letramento digital são escassas, o laboratório representa uma nova possibilidade de aprendizado.
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Ao usar o computador, Severina demonstrou entusiasmo com a experiência. “Meu Deus do céu, que coisa maravilhosa! Não sei exatamente o que estou escrevendo, mas estou mexendo aqui”, comentou. Quando pegou o mouse pela primeira vez, ela se encantou com cada movimento na tela. “Nossa, como é incrível! A seta está se movendo, não sei para onde, mas está indo!”, disse, surpresa. Para a quilombola, o gesto simples marcou o primeiro contato com uma nova ferramenta de aprendizado e descoberta.

Kethilyn Vitória, de 8 anos, se encantou com o teclado e as teclas do computador pela primeira vez. Curiosa e cheia de energia, a menina explorava cada letra com cuidado, mas sem perder o sorriso. “Gostei porque será bom para os meus dedinhos”, disse, enquanto digitava as primeiras letras de seu nome.
Inclusão
A inclusão digital no Quilombo do Mituaçu faz parte do Programa Computadores para Inclusão, promovido pelo Ministério das Comunicações. O laboratório, equipado com 15 computadores recondicionados, foi instalado para fortalecer o letramento digital em localidades com infraestrutura limitada. O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, destacou que a inclusão digital desde a infância é fundamental para preparar crianças e jovens para o futuro. “Sem acesso à tecnologia, é impossível garantir igualdade de oportunidades e autonomia no mundo moderno”, afirmou a autoridade.
Tecnologia como resistência
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Fotos: Victor Gaite/MCom
O presidente da Fundação Cultural Palmares, João Jorge Rodrigues, ressaltou que os quilombos preservam cultura, religiosidade e história, e que a iniciativa fortalece a resistência histórica das comunidades negras por meio do acesso à tecnologia. “Os quilombos do Brasil são a história brasileira mais profunda. É gente que manteve a terra, manteve a cultura, a religiosidade, a espiritualidade e mantém a resistência ativa do movimento negro brasileiro por meio da inclusão digital do Programa Cultura Conectada e Eixo Afro-Digital“, destacou.
Sobre o programa
O Programa Computadores para Inclusão recolhe equipamentos de bancos, órgãos públicos e tribunais, que passam pelos Centros de Recondicionamento de Computadores (CRCs). Alunos de baixa renda aprendem manutenção e informática durante o processo de recondicionamento, enquanto peças que não podem ser reaproveitadas são destinadas a empresas parceiras para descarte ambientalmente correto, garantindo sustentabilidade ao programa.
Fonte: Com informações Revista Cenarium
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