Cantora começa a comemorar os 50 anos de carreira que faz em 2025
A sonora gargalhada de Fafá de Belém anuncia sua chegada aonde quer que ela vá. É inconfundível, virou marca, sinônimo de uma personalidade forjada na alegria, na aceitação e na fé inabalável. Aos 67 anos, a cantora começa em 2024 as comemorações dos 50 de carreira que completará em 2025. Maria de Fátima é uma mulher do futuro. Não anseia por ele, tem aterramento de sobra no presente, mas revisita o passado para contar como viveu e vive até aqui.
Na próxima sexta-feira, traz para o Vivo Rio um show só com temas de novelas em “Fafá A filha do Brasil”, desenhado a partir das lives que fez durante a pandemia. Época em que, confessa, perdeu um pouco do brilho no olhar.“Lembro até hoje do dia 20 de março de 2020. Voltei de viagem, tirei na porta sapatos, roupas, deixei as malas, limpei tudo com álcool em gel, desinfetei, tomei um banho e só sairia dali a seis meses. Eu, que sempre tive a liberdade como companheira, estava presa, do nada virei grupo de risco, e não fazia ideia do que poderia acontecer”, recorda.
A fase terrível pela qual o mundo inteiro passou serviu para que Fafá também desacelerasse. Assistiu a todas as séries disponíveis, mas se sentiu órfã com o fim de “Éramos seis”, que estava no ar pela Globo: “Meu pai amava essa história e eu sou noveleira. Me deu uma tristeza quando chegou ao fim”.
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Tristeza é palavra que não combina com Fafá. A artista é conhecida pela alma festeira, por reunir amigos de todas as tribos, de padre a babalorixá, em suas casas, seja em São Paulo, Belém ou Lisboa, cidades nas quais se divide e mora por determinados períodos. No dia dessa conversa, ela acabava de voltar de Portugal, onde encenou uma ópera.“Nossa, foi um espetáculo belíssimo, um outro show, um formato diferente. Isso alimenta a alma”, descreve ela, que sequer pensava em cantar aos 18 anos, quando começou quase por acaso: “Eu queria ser psicóloga! Adorava cantar, mas não previa uma carreira”.
Durante todos esses anos já foi apontada como brega, cafona, popular demais. “Eu nunca liguei para os rótulos que me impuseram. Amo ser popular, cantar o amor, as paixões avassaladoras, meu público adora isso, conquistei tudo o que sou e o que tenho na vida dessa forma. Não faria diferente”, avalia ela, que se considera múltipla e ama heavy-metal.

Se fosse ligar para tudo o que já pensaram dela, Fafá não teria chegado com a mesma energia até aqui. “Nunca fui uma mulher padrão, magrinha, vedete. Sou grande, curvilínea, seios fartos... Claro que tentaram me encaixar, e eu sempre disse não”, conta, citando Roberto Santana, que foi seu produtor, diretor e espécie de guru profissional: “Ele me ensinou muta coisa, me pegou pela mão, me protegia e mostrava que eu não precisava sucumbir ao que queriam que eu fizesse contra a minha vontade”.
Fafá é da contramão. Apesar de tantos amigos do meio artístico, não pertence a uma turma. “Nunca fui deste ou daquele grupinho, isso me trouxe coisas boas e ruins. Você vê, eu sou do Pará, da Amazônia, conheço aquela terra, sou uma filha da floresta, e nunca me chamam para nenhuma campanha dessas que fazem por aí para falar do assunto. Quando chegam tecendo mil teorias sobre a Amazônia eu logo pergunto algo característico da floresta, da mata. Se titubeiam. nem prolongo a conversa, pode ser a ONG mais importante do mundo”, dispara.
Parte da história dessa filha da floresta será contada no carnaval de São Paulo. Ela vai ser enredo da Império da Casa Verde que vai levar para a Avenida “Fafá, a Cabocla Mística em Rituais da Floresta”. “É uma linda homenagem, estou muito feliz com isso, o samba é lindo e fala dessa minha relação”, se emociona.
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Fotos: Reprodução/Instagram
A relação no dia a dia se dá em mínimos detalhes. Um deles: Fafá não toma remédio. Recorre a chás, ervas, coisa que aprendeu com a avó e a mãe no Norte. Eles só não foram capazes de resolver as crises de pânico que a pegaram de jeito há dois anos. A cantora foi diagnosticada com burnout. Resquícios da pandemia de Covid-19 e da descoberta de uma falcatrua causada por um antigo administrador.
Quando tomou pé da situação, decidiu ficar à frente de tudo. Mas tinha adoecido.“Detesto tomar remédio e, de repente, me vi ali, paralisada, sem sair do lugar. É uma coisa muito doida e repentina. Foi um acúmulo e o corpo deu sinais”, explica ela, que se pegou nas orações com sua tríade predileta: “Cidinha, Nazinha e Fatinha, que são Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora de Nazaré e Nossa Senhora de Fátima. Nunca me faltam”.
Fonte: com informações do Portal Extra
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