19 de Abril de 2026

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Política no Amazonas - 05/09/2025

Amazônia, uma outra concepção é possível

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Foto: Reprodução/Google/Montagem Portal Mulher Amazonica

Aqui têm brasileiros e brasileiras que merecem um olhar sério e não de oferta da Amazônia para o capital nacional e internacional.

Por Lúcio Carril - Uma mudança de postura em todos os níveis do governo, dos cientistas e instituições públicas em relação à Amazônia resultaria de uma outra concepção, que não fosse aquela da velha política econômica produtivista e exploradora.

 

A Amazônia é um espaço de vida que reúne centenas de povos e milhares de comunidades. Temos cerca de 180 povos indígenas e mais de mil comunidades quilombolas, segundo a Nova Cartografia Social. São 27,8 milhões de habitantes (IBGE, 2022), distribuídos em 775 municípios, numa área que abrange 60% do território nacional.

 

Essa diversidade étnica e populacional reproduz conhecimentos seculares. Não é correto se referir à Amazônia como uma mancha de potencial econômico, pronta para virar geleia nas mãos do capital internacional ou das suas concubinas nacionais e ignorar outras riquezas que consideramos importantes.

 

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A Amazônia é um espaço de vida.

 

 

 

A Amazônia é um espaço onde nascemos, vivemos e criamos nossos filhos, filhas, netos, netas, bisnetos e bisnetas, homens e mulheres da floresta. É aqui que nos construímos gente, seres humanos com uma cultura arraigada em costumes e tradições herdadas de milhões de ancestrais espalhados pelas várzeas, matas e beira de rios, antes que a colonização chegasse e cumprisse sua missão genocida.

 

 

 

Qualquer projeto para nossa região tem que priorizar essa visão cultural e social, do contrário reproduzirá desigualdade e destruição de valores humanos construídos por séculos. No meio dessa mata vista pela janela do avião ou de fotografias tiradas por satélites têm seringueiros, povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, pescadores e pescadoras artesanais, agricultores familiares, piaçabeiros, peconheiros e muitos outros.

 

 

 

Mesmo diante de tanta riqueza cultural e diversidade social, a Amazônia tem o menor rendimento médio do Brasil. Todos os projetos nacionais implantados ou que tentaram implantar na nossa região foram de exploração econômica e nenhum de desenvolvimento social e valorização cultural. Desde a primeira pisada do colonizador até o ataque brutal do capital só destruição foi feita.

 

 

 

Nós, povos da Amazônia, das cidades, dos rios e da floresta, queremos que aqui se implante políticas públicas estruturantes, com sentido humano, social e cultural. Que nossas riquezas naturais sirvam de proteção ao ambiente que vivemos e não para a ganância do capital. Nossa gente da floresta ainda vive na perspectiva da solidariedade e não do lucro. É possível desenvolver a Amazônia sem destruí-la, basta respeitar nossos modos de vida.

 
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Fotos: Reprodução/Google

 

Esperamos que o governo Lula e os governos estaduais tenham sensibilidade e compromisso com os nossos povos e com o meio ambiente e saiam do discurso vazio e demagógico, usando nossa região apenas como cartão de visita. Aqui têm brasileiros e brasileiras que merecem um olhar sério e não de oferta da Amazônia para o capital nacional e internacional.

 

Lúcio Carril
sociólogo 

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