21 de Maio de 2026

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Elas nos inspiram - 21/05/2026

Aluna de escola pública aprende educação financeira e ajuda mãe a reconstruir vida

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Foto: Reprodução/Google

Vitória Martins, do Ceará, recebeu formação aos 11 anos e levou conhecimento para casa

As aulas de educação financeira em uma escola pública fizeram Vitória Martins perceber que a solução para melhorar a situação econômica da família estava ciscando no quintal de casa, em Cascavel (CE). Depois que a jovem, hoje com 18 anos, teve contato com jogos do Instituto Brasil Solidário na sala de aula, em 2017, ela sugeriu que a mãe e a avó começassem a vender ovos para moradores da comunidade rural onde viviam.

 

"A gente estava passando por dificuldades, e minha avó tinha galinhas. Então pensei: por que não vender o que elas produzem?", conta. Foi essa fonte de renda que permitiu à mãe, Valdenice Silva, 42, sustentar a casa com quatro filhos durante o período de desemprego, garantindo maior estabilidade financeira para retomar os estudos e, mais tarde, conquistar um emprego formal."A gente aprendeu a se planejar. Eu tentava pagar as contas e tomar decisões melhores para não ficar endividada", conta Valdenice. Ela calcula que os ganhos diários variavam entre R$ 25 e R$ 100.

 

Com o incremento na renda, a cearense viu renascer seu sonho de voltar à sala de aula. Hoje, ela está na reta final da EJA (Educação de Jovens e Adultos) e tem o objetivo de cursar fisioterapia futuramente.O retorno à escola ocorreu por incentivo da primogênita. "Antes, ela não podia voltar a estudar, porque sustentava nossa família e minha avó, e não sobrava tempo", relembra Vitória. "À medida que as coisas foram melhorando, vi crescer a determinação dela de correr atrás desse sonho."Outra mudança de vida veio em 2021, quando Valdenice conseguiu um trabalho formal como empregada doméstica.

 

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De segunda a sexta, depois de trabalhar até as 18h, ela seguia para as aulas na mesma escola da filha. Muitas vezes, chegava atrasada por ter perdido o único ônibus disponível naquele horário e ter de se deslocar a pé. "Ia até embaixo de chuva, avisava quando fosse atrasar, mas não faltava." Em casa, a cearense enfrentava a resistência do ex-marido. "Ele dizia que meu lugar era no lar. Tinha ciúmes de que eu fosse para a escola. Até que um dia me mandou escolher entre ele e os estudos. Eu disse que escolheria meu futuro, meu sonho, e que não desistiria."

 

Ele dizia que meu lugar era no lar. Tinha ciúmes de que eu fosse para a escola. Até que um dia me mandou escolher entre ele e os estudos. Eu disse que escolheria meu futuro, meu sonho

 

Vitória, que hoje se prepara para ingressar na faculdade de pedagogia, classifica a época como um período de embates. "Brigava para defender minha mãe porque queria que ela encontrasse um apoio nele, mas isso simplesmente não existia."Hoje divorciada, a empregada doméstica está prestes a concluir a EJA, após ter interrompido a formação para cuidar da mãe, Maria Alice, que enfrentou problemas de saúde depois de sofrer sucessivos AVCs (acidentes vasculares cerebrais) e morreu em 2025.

 

Fotos: Divulgação

 

Valdenice e a filha afirmam que a educação financeira acabou transformando a dinâmica de três gerações da família. "A Vitória gostava de gastar e não entendia que era necessário economizar. Depois dos jogos, ficou bem mais controlada, e isso contribuiu para meu próprio controle. Hoje, tenho outra organização financeira", conta.A mudança também foi percebida por Maria Alice. "Quando chegava o final do mês e a gente fechava as contas, ela ficava muito alegre. Tinha vezes que queria me dar alguma coisa, e eu não aceitava. Dizia: ‘Não, vó, guarda para você pagar suas contas’", lembra Vitória.

 
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De agora em diante, Valdenice espera galgar passos maiores pelo caminho que a educação tem aberto em sua vida. "Meu sonho é trabalhar como fisioterapeuta e ter minha casa própria. Sei que um dia vou conseguir." 

 

Fonte: com informações Folha de São Paulo

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