Os cientistas, reunidos no pavilhão dedicado à ciência planetária, afirmaram que o orçamento de carbono compatível com o limite de 1,5 °C (meta do Acordo de Paris) está quase esgotado. Segundo eles, há apenas 4 anos de emissões restantes com o ritmo atual
No Pavilhão de Ciências Planetárias da COP 30, um grupo de cientistas de prestígio, incluindo Carlos A. Nobre e Johan Rockström, lançou um alerta contundente aos negociadores: o mundo está prestes a cruzar um limiar perigoso — e as promessas atuais não são suficientes. Os cientistas, reunidos no pavilhão dedicado à ciência planetária, afirmaram que o orçamento de carbono compatível com o limite de 1,5 °C (meta do Acordo de Paris) está quase esgotado. Segundo eles, há apenas 4 anos de emissões restantes com o ritmo atual.
A estimativa de emissões para 2025 é alarmante: haverá 38,1 bilhões de toneladas de CO?, um aumento projetado de 1,1% em relação a 2024. Esse cenário é baseado no relatório Global Carbon Budget 2025, que reúne a contribuição de 130 cientistas. De acordo com a carta pública entregue pelos cientistas no pavilhão, a ciência exige uma redução de pelo menos 5% das emissões a cada ano, a partir de agora. Porém, lamentam, os compromissos atuais dos países são muito mais tímidos: ao invés de 5% por ano, as promessas equivalem a uma redução de 5% ao longo de dez anos.
Segundo os cientistas, sem essa trajetória de queda rápida, a humanidade corre o risco não só de ultrapassar o orçamento de carbono, mas de entrar em rota de colisão com pontos de inflexão climática (“tipping points”) — condições nas quais o sistema climático muda de forma irreversível.
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A carta dos cientistas também destaca que mitigar emissões é crucial, mas adaptar-se aos impactos climáticos se tornou urgente. Isso porque, a cada aumento de 0,1 °C, os riscos crescem substancialmente: ondas de calor extremas, tempestades mais intensas, incêndios e outros eventos climáticos com impactos econômicos severos, especialmente para populações vulneráveis. Eles afirmam que a COP30 deve alocar prioridade igual para adaptação, não apenas para metas de mitigação.
Fim dos combustíveis fósseis: não é ideologia, é física

Segundo a declaração, é impossível impedir que a temperatura suba mais sem uma descarbonização rápida e profunda: é necessário desligar os combustíveis fósseis, escalonar fortemente a energia renovável e eliminar o desmatamento. Os cientistas pedem que, durante a COP30, os negociadores criem um roteiro claro para a fase-out dos combustíveis fósseis, como prioridade máxima. Os especialistas alertam que há uma tendência preocupante: em alguns textos de negociação, a ciência está sendo marginalizada, quando deveria ser a base de todas as decisões.
Eles condenam estratégias de “atraso e negação”, em que evidências científicas são diluídas ou removidas das negociações climáticas para evitar compromissos mais ambiciosos.
Justiça climática no centro

Além do apelo técnico, há uma forte dimensão ética: os cientistas destacam que o esforço para reduzir emissões em 5%/ano não é apenas uma questão ambiental, mas de justiça climática. Eles lembram que os países com as maiores emissões historicamente — e maiores recursos para mitigar — devem assumir a maior parte desse esforço, enquanto os mais vulneráveis pagam o preço dos impactos climáticos que já começam a ocorrer. Ainda segundo a carta, existe momentum político para mudanças reais: muitos países já falam abertamente em eliminar combustíveis fósseis, e setores da sociedade defendem uma transição justa. Mas para que isso se torne realidade, é preciso liderança clara e comprometida na COP30 — o painel científico pede que negociadores deixem de lado acordos suaves e adotem compromissos que reflitam a urgência apontada pela ciência.
Por que esse alarme é tão importante
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Temporalidade curta: só ter 4 anos de “orçamento de carbono” restante significa que o mundo está à beira de ultrapassar limites considerados seguros para evitar um aquecimento perigoso. Alta ambição necessária: a diferença entre os compromissos atuais e o que a ciência pede é enorme — reduzir 5% ao ano é muito mais agressivo do que o que muitos países planejam. Riscos sistêmico: ultrapassar 1,5°C não é apenas um número — são riscos concretos de perturbações graves no sistema climático, com impactos sociais desproporcionais para as populações mais vulneráveis.
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Fotos: Reprodução/Google
Ação inadiável: a ciência pede não só mitigação, mas adaptação urgente, o que implica não só planos de longo prazo, mas intervenções já nessa COP. Equidade global: a crise climática é também uma crise de justiça, e os cientistas reforçam que os esforços e os recursos devem refletir isso.
Fontes:
Matéria da VEJA detalhando o pedido de redução de 5% ao ano nas emissões.
Cobertura da Agência Brasil com análise das negociações e citações de Johan Rockström e Carlos Nobre.
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