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Comportamento - 24/12/2025

Além das festas: como identificar e lidar com a 'síndrome de fim de ano'

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Foto: Pexels

Nostalgia, luto e autocobrança intensificam turbulência emocional em dezembro; especialistas do Einstein orientam sobre o respeito aos limites e o impacto das redes sociais

O fim do ano costuma ser um momento de celebração, esperança e alegria. Para algumas pessoas, contudo, esse período é bem mais turbulento do que sugerem as mensagens de “Feliz Natal” e “Feliz Ano Novo”. Por isso é comum surgir o que os especialistas chamam de “síndrome de fim de ano”.

 

Esse conjunto de sentimentos aparece quando o calendário se aproxima de dezembro e envolve nostalgia, cansaço, frustração, esperança, autocobrança e, em alguns casos, dor por perdas recentes. “Todo ciclo que termina desperta balanços internos. Celebramos conquistas, mas também lembramos de frustrações, pendências e perdas”, comenta Bianca Batista Dalmaso, psicóloga sênior do Espaço Einstein Bem-Estar e Saúde Mental, do Einstein Hospital Israelita.

 

Esse turbilhão emocional não é à toa. O fechamento de um ciclo costuma ativar memórias e comparações internas, com questionamentos sobre o que ficou para depois e o que gostaríamos de ter conquistado. Refletir sobre esses pontos em momentos de transição é algo natural. “A mistura de alegria, ansiedade e nostalgia é esperada e não significa que algo está errado”, diz Dalmaso.

 

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Somado a isso, existe uma expectativa coletiva de felicidade. As festas são tratadas como um momento de alegria obrigatória, com encontros sociais variados e autocobrança. A psicóloga Ana Lúcia Karasin, também do Espaço Einstein Bem-Estar e Saúde Mental, destaca que muitas pessoas sentem que precisam “entrar no clima”, mesmo quando não estão emocionalmente disponíveis. “Um passo importante para evitar desconfortos nessas situações é reconhecer os próprios limites e recusar convites quando necessário”, orienta.

 

A pressão por corresponder ao clima festivo pode gerar culpa ou inadequação. “Saúde emocional não significa estar alegre o tempo todo, mas saber reconhecer e respeitar o que se sente”, afirma Bianca Dalmaso. Se você não está bem, tenha uma comunicação honesta com familiares e amigos. Falas como “Este ano estou mais quieto, preciso de um tempo” ou “Quero estar com vocês, mas talvez eu participe só um pouquinho” podem ajudar.

 

Luto nas festas

 


Para quem vive um processo de luto recente, o fim de ano pode ser ainda mais desafiador. As festividades tendem a reativar lembranças e intensificar a ausência, podendo desencadear sentimentos de tristeza. Permitir-se sentir tudo isso sem culpa, criar rituais próprios e aceitar apoio emocional são estratégias importantes que ajudam a atravessar o momento de maneira mais leve. “O vazio nessa época do ano fica mais evidente. Estar ao lado de quem acolhe ajuda muito”, assegura a psicóloga sênior.

 

A pressão para corresponder ao “Feliz Natal” e “Feliz Ano Novo” também pode gerar sensação de inadequação, como se houvesse uma forma correta de se sentir em dezembro e como se fosse errado não estar feliz nesse período. Mas nossas emoções não seguem o calendário e tentar demonstrar felicidade só para agradar aos outros pode levar ao esgotamento emocional e piorar a situação.

 

Nas redes sociais, essa cobrança fica ainda mais evidente. Fotos de famílias perfeitas, reunidas e felizes, ceias exuberantes, viagens maravilhosas e retrospectivas ampliam as comparações e aumentam o sentimento de culpa. “As redes sociais mostram quase sempre só os pontos altos, e isso distorce a percepção sobre a própria vida. A realidade nunca é tão perfeita quanto o que aparece na tela”, observa Karasin.

 

Autocobrança

 

Fotos: ReproduçãoGoogle


Outra fonte frequente de sofrimento é a sensação de que “o ano acabou e não fiz o suficiente”. A autocrítica cresce, porque a virada do ano marca simbolicamente o tempo que passou. Para lidar com isso, troque o balanço punitivo por um olhar mais reflexivo, reduzindo a cobrança e lembrando que ninguém performa em alto nível o ano inteiro.

 

Também vale refletir sobre pontos positivos do ano. “Em vez de perguntar ‘o que não fiz?’, tente se perguntar: ‘do que me orgulho?’, ‘onde fui resiliente?’ ou ‘qual foi a minha maior vitória invisível?’”. Celebrar pequenas conquistas, valorizar aprendizagens e ajustar expectativas pode aliviar a frustração. Também vale se atentar se você está se cobrando além da conta. Pensamentos persistentes de inadequação, dificuldade em se desconectar, perda de prazer em atividades habituais, ansiedade frequente ou sensação constante de que nada é suficiente são indícios.

 

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Tristeza prolongada, isolamento e falta de energia também merecem atenção. Nesses casos, buscar apoio psicológico é fundamental e pode fazer a diferença no ano que vai começar. “Cada pessoa atravessa dezembro do seu próprio jeito e tudo bem se, neste ano, o sentimento predominante não for de alegria”, conclui Ana Lúcia Karasin.

 

Fonte: Com informações Revista IstoÉ 

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