30 de Abril de 2026

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Política - 30/04/2026

Alcolumbre manobra para reduzir pena de Bolsonaro e não beneficiar condenados por crimes hediondos

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Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Estratégia no Congresso separa vetos e evita que mudança na dosimetria alcance criminosos de alta periculosidade e integrantes de facções

O presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), adotou uma manobra considerada incomum para alterar a análise de vetos presidenciais ao chamado Projeto de Lei da Dosimetria, que pode beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros condenados pelos atos de 8 de janeiro.

 

A estratégia consistiu em retirar da votação um trecho vetado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva que entrava em conflito com a Lei Antifacção. Esse dispositivo permitiria a progressão mais rápida para o regime semiaberto a condenados por crimes graves, incluindo feminicídio e atuação em organizações criminosas.

 

Separação de trechos evita efeito ampliado

 

Com o desmembramento, Alcolumbre abriu caminho para que o Congresso analise a derrubada dos vetos apenas na parte que trata da dosimetria das penas relacionadas aos atos golpistas, sem estender benefícios a integrantes de facções ou autores de crimes hediondos. Na prática, caso o veto fosse derrubado integralmente, todos os dispositivos do projeto voltariam a valer — incluindo aqueles que flexibilizariam regras para criminosos de alta periculosidade. A decisão busca impedir esse efeito colateral.

 

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Medida é considerada incomum

 

 

A iniciativa rompe com a prática tradicional do Congresso, que costuma votar vetos presidenciais de forma integral. Para justificar a medida, Alcolumbre declarou a “prejudicialidade” de parte dos dispositivos, excluindo-os da análise. “Em virtude do prejulgamento da matéria pela aprovação do PL Antifacção e sua conversão na Lei nº 15.358, de 24 de março de 2026, esta Presidência declara a prejudicialidade dos vetos aos incisos 4 a 10 do art. 112 da Lei de Execução Penal”, afirmou o senador durante a sessão.

 

Argumentos jurídicos e legislativos

 

Fotos: Reprodução/Google

 

Alcolumbre sustentou a decisão em dois principais argumentos. O primeiro é a chamada “temporalidade legislativa”: como a Lei Antifacção foi aprovada posteriormente, suas regras devem prevalecer sobre dispositivos conflitantes do projeto anterior. O segundo ponto envolve a intenção do legislador. Segundo o presidente do Congresso, o PL da Dosimetria não tinha como objetivo alterar o mérito das regras de progressão de regime, mas apenas ajustar sua redação.

 

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“Assim, o eventual reestabelecimento desses dispositivos seria contrário às vontades expressadas pelo Congresso”, destacou Alcolumbre, ao defender que a flexibilização de penas para crimes graves não estava no escopo original da proposta.

 

Fonte: com informações da Agenda do poder 

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