17 de Maio de 2026

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Economia - 20/03/2023

Afinal, as companhias aéreas se recuperaram do tombo da pandemia?

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Foto: Reprodução

Renegociação de dívidas das aéreas Gol e Azul são sinal de que o pior da pandemia pode ter ficado para trás, mas custos seguem elevados

O setor de aviação brasileiro parece ter deixado a pior turbulência para trás e segue para um voo mais tranquilo em 2023. Depois de passarem por um longo período em que as receitas foram praticamente a zero e os custos seguiram vigentes, as aéreas brasileiras Gol e Azul conseguiram tirar das costas parte do peso das dívidas acumuladas nos últimos três anos.

 

Em acordo recente, a Azul conseguiu negociar com os arrendadores das aeronaves quase 90% da dívida de R$ 3,8 bilhões que pesava no balanço. Apesar de os aviões terem ficado no chão, os aluguéis continuaram a ser cobrados, o que criou uma bola de neve no endividamento da empresa.

 

Com a renegociação, a aérea transformou 60% da dívida em ações e alongou os 40% restantes para um pagamento que vence em 2030. A consequência imediata, segundo disse John Rodgerson, CEO da Azul, é que a empresa deixará de “queimar” R$ 3 bilhões em 2023 – dinheiro que seria usado para amortizar ou quitar os débitos que venceriam no curto prazo. Ou seja: mais recursos disponíveis para investir no aumento da oferta de assentos e, assim, conseguir gerar caixa.

 

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“O adiamento da dívida compensa a diluição dos investidores (em razão da conversão de parte da dívida em ações), tornando esse um evento positivo para a Azul e, mais importante, retirando o peso causado pela possível necessidade de reestruturação financeira”, observou o analista do banco BTG Pactual Lucas Marquiori.

 

A Gol fez uma operação similar. A controladora da companhia aérea brasileira, a holding Abra (que também controla a operação internacional da Avianca) concedeu um financiamento de US$ 1,4 bilhão, ou cerca de R$ 7,3 bilhões na atual cotação do dólar. A nova dívida tem como prazo março de 2028 e não poderá ser executada antecipadamente. O impacto financeiro da renegociação não foi divulgado pela empresa, mas espera-se que o resultado final seja o mesmo da Azul: aliviar o caixa.

 

“A demanda da Gol deve subir 12% em relação ao ano passado e a ocupação deve chegar a 82%. Estimamos que esses indicadores levarão a uma geração de caixa estável, o que pode ser considerado uma boa surpresa”, disse Daniel Gasparete, analista do banco Itaú BBA.

 

Receitas das companhias aéreas se recuperaram da pandemia

 

Os investidores ficaram animados com o cenário que se abre. No último mês, as ações da Azul subiram 76% e as da Gol avançaram 25%.

 

As conversas para reduzir e renegociar as dívidas do setor são um importante passo para afastar as aéreas de um processo de recuperação judicial. Desde que a crise de crédito da Americanas veio à tona, bancos adotaram políticas mais rigorosas para a concessão de recursos e para a rolagem de débitos. O fato de a Azul e a Gol terem conseguido renegociar diretamente com seus credores ou controladores é uma boa notícia, uma vez que o setor parece fugir da confusão que se instalou no mercado de crédito local.

 

Custos elevados

 

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Apesar do pior ter ficado para trás, as notícias para os passageiros não são as esperadas. As renegociações de dívidas aliviam o custo financeiro para as empresas, mas ainda há um custo operacional crescente que tende a tornar as viagens mais caras ao longo do ano.

 

O primeiro ponto é o custo do combustível das aeronaves. Havia uma expectativa de queda do preço do petróleo ao longo de 2023, o que poderia aliviar as despesas com o querosene para as aéreas. No entanto, a crise dos bancos nos Estados Unidos e na Europa deve frear a política de aperto monetário dos bancos centrais de países desenvolvidos, o que deve dar um fôlego extra à cotação do petróleo.

 

Além disso, a turbulência no exterior também tem afetado o dólar, o que não só impacta o petróleo como os contratos de arrendamento das aeronaves, que são firmados em moeda estrangeira.

 

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Fotos: Reprodução

 

Tudo isso indica que as companhias serão mais cautelosas na ampliação do número de voos. A tentativa de recompor margens também é outro sinal de que os passageiros enfrentarão um cenário de bilhetes mais caros.

 

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Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), as passagens estão, em média, 30% mais caras do que antes da pandemia. Em trechos muito demandados, como a ponte-aérea (São Paulo e Rio) e Brasília, é comum encontrar tarifas acima de R$ 3 mil.

 

Embora a recuperação das empresas seja uma boa notícia para o consumidor, que continuará a ter opções para voar, o cenário de 2023 não parece animador para o bolso.

 

Fonte: com informações do Portal Metrópoles

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