O assassinato de Camilla mostra que o feminicídio continua sendo uma chaga que atinge mulheres de todas as idades, classes sociais e profissões.
A advogada Camilla Santos Silva, de 32 anos, presidente da Comissão da Mulher Advogada da 112ª Subseção da OAB de Piraju, foi brutalmente assassinada a facadas na manhã de 21 de novembro de 2025, na cidade de Piraju (SP), pelo próprio marido, Leonardo Silva, policial militar de 25 anos.
O crime e as circunstâncias
Segundo os relatos, o crime ocorreu após uma discussão familiar dentro da residência, localizada no bairro Nova América. Vizinhos, ao ouvirem gritos, acionaram a Polícia Militar, que chegou ao local e flagrou o agressor desferindo golpes de faca contra Camilla. O sogro da vítima, Paulo Sérgio Silva, de 62 anos, também foi atacado.
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A sogra de Camilla conseguiu refugiar-se no banheiro da casa; o agressor, ignorando ordens de rendição, avançou para continuar as agressões. Para proteger a mulher, a família e evitar mais vítimas, policiais militares presentes no local dispararam contra Leonardo, que morreu em seguida.
Camilla, seu pai e o agressor foram socorridos e levados ao pronto-socorro do Hospital de Piraju, mas não resistiram aos ferimentos. A arma funcional do policial havia sido recolhida na noite anterior pelo risco de ameaças denunciadas pela esposa. O caso é apurado pela Polícia Civil do Estado de São Paulo, com o acompanhamento da corregedoria da corporação.
Quem era Camilla Santos Silva

Camilla estava inscrita na Ordem dos Advogados do Brasil desde janeiro de 2018 e, nos últimos anos, vinha se destacando por sua atuação comprometida em defesa dos direitos das mulheres. À frente da Comissão da Mulher Advogada em Piraju, ela promovia ações de combate à violência doméstica e defendia a valorização das advogadas. Para colegas e lideranças da advocacia, sua trajetória representava mais do que militância institucional: era símbolo de coragem e compromisso com causas femininas e de justiça social.
Reações e desdobramentos institucionais
• A OAB São Paulo divulgou nota oficial expressando “profunda dor e indignação” com o crime, considerando o feminicídio da advogada uma tragédia que reforça a urgência de políticas de proteção efetivas às mulheres. A entidade decretou luto de três dias.
• A CMA da OAB-GO também se manifestou, lamentando a perda de Camilla e reafirmando a necessidade de mobilização institucional contra a violência de gênero.
• O caso reacende o debate sobre a fragilidade dos mecanismos de proteção a mulheres vítimas de violência doméstica — mesmo aquelas que têm conhecimento jurídico — e evidencia que a profissão, a formação e o ativismo não bastam para imunizar contra a brutalidade do machismo.
A gravidade do feminicídio e o panorama nacional

Fotos: Reprodução/Google
O assassinato de Camilla mostra que o feminicídio continua sendo uma chaga que atinge mulheres de todas as idades, classes sociais e profissões. A advogada tornou-se mais uma vítima de uma violência que, mesmo com leis e instrumentos de proteção, segue ceifando vidas. Diversas entidades ligadas à advocacia e aos direitos humanos reiteram o chamado à ação institucional, à educação, ao acolhimento de denúncias e à responsabilização exemplar dos agressores.
Este caso deixa cristalino que o combate à violência contra a mulher exige mais do que lamentações. A sociedade brasileira precisa encarar com seriedade a urgência de políticas públicas, instrumentos de proteção, apoio psicológico e jurídico, e sistemas eficazes de prevenção e denúncia. A morte de Camilla — advogada, ativista e defensora de mulheres — deve servir como alerta, chamado à mobilização e reforço da luta pela igualdade, segurança e vida.
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