Mulher e criança indígena em comunidade de Manaus
Em defesa de direitos básicos e na busca por melhorias de infraestrutura, povos indígenas, como os que vivem no Parque das Tribos, o maior bairro indígena do Brasil em homologação, localizado no bairro Tarumã-Açu, na Zona Oeste de Manaus, lutaram para ter acesso à água tratada. A comunidade é uma das oito, localizadas em diferentes zonas da capital amazonense, que agora possuem o serviço de abastecimento, beneficiando cerca de 11 mil pessoas.
À CENARIUM, Eliza Sateré, uma das lideranças do Parque das Tribos, afirma que o abastecimento de água tratada era um problema diário e, para conseguir realizar atividades de rotina, os moradores dependiam de auxílio fora da comunidade. “A gente dependia da água dos outros. Lembro que a gente ia para uma outra comunidade ao lado para pegar água, carregar em baldes, em garrafões dentro do carro ou, então, a gente tinha que descer ali na área de reserva. Descíamos as ribanceiras para a gente usar a água das nascentes”, destaca.
Além do Parque das Tribos, onde vivem cerca de 1.000 famílias de 35 etnias, outras comunidades também recebem água encanada por meio da Águas de Manaus. A CENARIUM apurou que se tratam das comunidades Parque das Nações Indígenas e Waikiru e Sateré, localizadas nos bairros Tarumã e Redenção, nas Zonas Oeste e Centro-Oeste.
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Na Zona Norte da capital amazonense, cerca de 5,1 mil indígenas moradores das comunidades Nova Vida e Sol Nascente, localizadas nos bairros Nova Cidade e Cidade de Deus, respectivamente, também recebe água direto da torneira. A comunidade Nova Vida concentra maior número de beneficiados com o acesso à água. São pouco mais de 4,8 mil pessoas.
Outros 800 beneficiados também contam com água encanada na Zona Leste da cidade. As comunidades beneficiadas, segundo a concessionária, são a IAPOAM e Aldeia São João de Tupaberaba Sununga, localizadas nos bairros Coliseu e Jorge Teixeira, respectivamente. Os dados são da Águas de Manaus enviados à CENARIUM por meio de nota.
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Moradores de comunidade indígena de Manaus recebem água tratada
(Foto: Reprodução/Águas de Manaus)
O serviço para as comunidades reforça que a garantia de água tratada reflete não apenas a necessidade de serviços essenciais para atender a todos os cidadãos, mas também o reconhecimento da dignidade e da saúde desses lugares. Eliza conta que o abastecimento anterior à chegada de água potável foi marcado por água consumida de cacimbas, que não possuíam qualquer tipo de tratamento.
De acordo com ela, também era cobrada uma taxa para que as casas recebessem água. Ela afirma também que a reunião de lideranças e do cacique para reivindicar água tratada impulsionou as obras para a encanação e distribuição. Ao todo, o processo durou cerca de quatro anos.
“Nós tínhamos que pagar uma taxa, por exemplo, de R$30, R$50, por mês, para que colocassem água em nossas caixas, nos nossos baldes, e isso passou por uns três, quatro anos, até que chegasse água encanada. Foi quando as lideranças se reuniram e reivindicaram para conseguirmos água para as nossas casas”, relata Eliza.
Dados do Instituto Trata Brasil apontam que Manaus subiu no ranking de saneamento básico do Brasil. Nos últimos cinco anos, a capital amazonense registrou avanços. Em 2018, a cidade ocupava a 96ª posição. Cinco anos depois, em 2023, saltou 13 posições e alcançou o 83º lugar no ranking.
Fonte: com informações da Revista Cenarium
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