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Meio Ambiente - 03/12/2025

Acelerada degradação das florestas tropicais pode desencadear novas pandemias, alerta Carlos Nobre

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Foto: Reprodução/Google

Nobre ressaltou que a degradação acelerada das florestas tropicais, especialmente na Amazônia, coloca o planeta diante de um cenário crítico.

O pesquisador e cientista brasileiro Carlos Nobre, uma das maiores referências globais em mudanças climáticas, reforçou os alertas apresentados por ele na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-30).

 

O evento, realizado no mês de novembro, abriu espaço para uma discussão urgente: o avanço do desmatamento e os riscos sem precedentes para o clima e para a saúde pública mundial. Nobre ressaltou que a degradação acelerada das florestas tropicais, especialmente na Amazônia, coloca o planeta diante de um cenário crítico.

 

“Estamos caminhando para um ponto de não retorno”, afirmou. O cientista destacou que a destruição contínua desses ecossistemas não ameaça apenas a biodiversidade, mas também eleva drasticamente a probabilidade de surgimento e disseminação de novas epidemias e pandemias — fenômeno já observado em diversas regiões tropicais do mundo.

 

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Segundo ele, a Amazônia abriga um vasto reservatório de vírus desconhecidos, com potencial de se espalhar globalmente caso seus habitats naturais continuem sendo destruídos. Nobre enfatizou que a combinação entre perda de biodiversidade, atividades humanas invasivas e desequilíbrios ambientais cria um ambiente propício para que doenças saltem de animais para humanos. “Se continuarmos degradando as florestas tropicais, poderemos ter uma ou duas pandemias por década”, alertou.

 

Zerar o desmatamento: uma urgência global

 


Para Nobre, zerar o desmatamento não é apenas uma meta ambiental — é uma necessidade civilizatória. O cientista defende que todos os biomas brasileiros, especialmente a Amazônia, o Cerrado, o Pantanal e a Caatinga, sejam integralmente protegidos e acompanhados de programas robustos de restauração florestal.

 

Ele ressalta que preservar as florestas não deve ser visto apenas como uma pauta ecológica, mas como um investimento fundamental na estabilidade climática e sanitária das próximas gerações. A destruição das áreas tropicais acelera mudanças no regime de chuvas, intensifica eventos extremos, reduz a resiliência dos sistemas naturais e aumenta a exposição humana a novos agentes patogênicos.

 

O recado para o Brasil e o mundo

 

Fotos: Reprodução/Google

 


Carlos Nobre também reforçou que a Amazônia enfrenta uma das fases mais cruciais de sua história. Sem uma reversão urgente nas taxas de desmatamento, o bioma pode atingir o limiar de savanização, com efeitos devastadores para o clima regional e global. “Estamos no limite. O futuro climático do planeta depende das nossas decisões agora”, afirmou.

 

A entrevista integra um conjunto de debates científicos que vêm chamando a atenção internacional para os impactos do desmonte ambiental e para a necessidade de políticas públicas consistentes. Mais do que uma análise técnica, o alerta de Nobre é um chamado para ação imediata, envolvendo governos, sociedade civil e organismos internacionais.

 
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Com a COP-30 como palco, o cientista reiterou que o mundo não pode mais tratar a preservação das florestas como uma opção. Trata-se de um imperativo global para evitar desequilíbrios irreversíveis, proteger populações vulneráveis e reduzir os riscos de novas crises sanitárias que podem marcar as próximas décadas.

 

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