A modelo e empresária Luiza Brunet foi vítima de violência sexual aos 12 anos
A violência sexual demora para ser reconhecida e muitas vítimas passam anos sem falar sobre os abusos sofridos, principalmente, quando eles acontecem na infância e na adolescência.
A modelo e empresária, Luiza Brunet, 60, é uma delas. Ela conseguiu reconhecer os abusos sexuais sofridos aos 12 anos somente aos 54 anos, depois de ter sido também vítima de violência doméstica.
Ela conta que saiu de Mato Grosso do Sul para trabalhar como doméstica, aos 12 anos, em uma casa no subúrbio do Rio de Janeiro.
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"Sofri abuso de uma pessoa que frequentava a casa. Algumas vezes ele me encostava na parede e tocava meu corpo. Isso me trouxe dores profundas e muito medo", conta Luiza, que é uma das embaixadoras do movimento #AgoraVcSabe, do Instituto Liberta, que dá voz às vítimas de violência sexual na infância e na adolescência.
O movimento promove um levante virtual para falar sobre um problema que diz respeito a 75% dos casos de violência sexual no país, cometidos contra crianças e adolescentes, a partir do relato de vítimas adultas.
Depois dos abusos, conta a modelo, ela retornou para casa e nunca falou com os pais sobre o assunto. "Não existia espaço para contar."
Depois de ser vítima de violência doméstica praticada pelo ex-companheiro, a empresária resolveu romper o silêncio de todas as violências sofridas para ajudar outras mulheres a não passarem pelo mesmo.

"É importante revisitar nossa própria história e reconhecer as violências sofridas ao longo da vida. Esvaziar essa dor e compartilhar com outras mulheres é importante para que elas possam reconhecer se foram vítimas", diz a empresária.
Para ela, as pessoas famosas têm essa responsabilidade de contar para ajudar outras mulheres

Pré-candidata a deputado federal pelo PSDB de São Paulo, a ex-modelo diz que para falar de violência doméstica precisou voltar lá atrás, quando tinha 6 anos de idade.
"Meu pai era alcoólatra, minha mãe costurava para fora para nos sustentar. Depois de assistir violência doméstica como criança, fui vítima na adolescência e também adulta. Aos 16, fui emancipada para casar", relata Luiza.
Começou a trabalhar como modelo por acaso, quando também passou a sofrer assédio moral e sexual.
"Só agora com movimentos como Me Too as modelos entenderam que não precisam se sujeitar, embora muitas ainda hoje se sujeitem por necessidade. São mães solo, provedoras."
O fato de ter experienciado todos esses tipos de violência, gera empatia com plateias femininas mundo afora, agora como ativistas dos direitos das mulheres. "Quando mulheres na mesma situação me pedem ajuda, eu me coloco no lugar delas."
Luiza ressalta que não tem idade nem classe social para sofrer violência. "A mulher pode ser provedora ou não. Pode ser branca, bonita, de educação elevada. A violência doméstica é democrática em todos os sentidos, embora negras e pobres sofram mais como mostram as estatísticas."
PASSEATA VIRTUAL
O movimento #AgoraVcSabe, organizado pelo Instituto Liberta, é para que os adultos abusados, violentados ou explorados sexualmente quando crianças rompam o silêncio.

Fotos: Reprodução
Além de Luiza Brunet, a apresentadora Angélica Ksyvickis, a ex-masterchef Valentina Schulz, também são embaixadoras do levante. A empresária Luiza Helena Trajano e os apresentadores Luciano Huck e Marcos Mion se engajaram nas redes sociais para chamar mais pessoas para o evento.
Qualquer pessoa que tenha sido vítima de violência sexual na infância e na adolescência pode participar. Quem tiver interesse é só entrar no site agoravocesabe.com.br e gravar uma mesma frase que será dita por todos os participantes. "A violência sexual contra a criança e o adolescente é uma realidade. Eu fui vítima e agora você sabe!"
Fonte: Portal Folha de São Paulo
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