A contradição é gritante: elas cuidam de tudo e de todos ? filhos, pais, netos, casa, trabalho ?, mas raramente recebem o mesmo cuidado em troca.
O Brasil está envelhecendo — e esse envelhecimento tem rosto, voz e gênero: o feminino. Os dados do Censo 2022 do IBGE mostram que o país tem 104,5 milhões de mulheres contra 98,5 milhões de homens. À medida que a idade avança, essa diferença se torna ainda mais evidente: entre as pessoas com mais de 60 anos, 56% são mulheres. Aos 80, elas já são quase o dobro dos homens vivos. E até 2050, a projeção é que o país tenha 28 milhões de mulheres com mais de 65 anos, frente a 21 milhões de homens.
Mas viver mais não significa viver melhor. A expectativa de vida feminina é de 79,7 anos, porém uma parte expressiva desse tempo é marcada por dores crônicas, limitações funcionais e carência de cuidados adequados. A contradição é gritante: elas cuidam de tudo e de todos — filhos, pais, netos, casa, trabalho —, mas raramente recebem o mesmo cuidado em troca.
Um dos exemplos mais simbólicos é o da chamada geração sanduíche: mulheres entre 35 e 50 anos que cuidam simultaneamente dos filhos e dos pais idosos. Segundo dados de 2023, mais de 575 mil brasileiras vivem essa dupla jornada emocional e financeira. Muitas deixaram o mercado formal de trabalho, sobrevivendo com pequenos bicos ou da pensão familiar. O resultado é um esgotamento silencioso, que combina sobrecarga, ansiedade e a falta de suporte público e privado.
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E quando o corpo começa a mudar, o tabu se impõe. Estima-se que mais de 30 milhões de brasileiras estejam enfrentando a menopausa. Quase metade delas relata queda de produtividade e concentração no ambiente profissional, mas poucas empresas adotam políticas de acolhimento, informação ou flexibilização. O tema ainda é tratado como invisível, quando deveria ser central em qualquer debate sobre diversidade etária e igualdade de gênero.

Fotos: Reprodução/Google
Mesmo diante das omissões, elas seguem rompendo barreiras. Hoje, as mulheres representam 55% dos aposentados do INSS. São maioria nas universidades, têm maior escolaridade média e seguem liderando lares e comunidades. Contudo, continuam sub-representadas nos espaços de poder, na publicidade e nas pautas sobre o futuro do trabalho e da longevidade.
Fontes:
IBGE – Censo Demográfico 2022
Ministério da Saúde – Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa
INSS – Dados de Benefícios por Sexo e Faixa Etária
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