30 de Abril de 2026

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Colunistas - 13/01/2026

A queda de um império

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Foto: Reprodução/Google

Não sei se viverei os próximos anos, mas me sinto regozijado por está vendo a queda de um império. É Um caminho inexorável da história.

Por Lúcio Carril - Com o fim da Guerra Fria, os Estados Unidos se tornaram absolutos em todo ocidente e mesmo no oriente, já que os países desenvolvidos daquele lado do mundo passaram a rezar na cartilha econômica do Tio Sam. O sistema econômico mundial, lastreado pelo dólar, começou a ser desenhado e implantado com os Acordos de Bretton Woods, em 1944, ganhando supremacia em 1971, com o dólar deixando de ser convertido em ouro e passando a ser uma moeda fiduciária (a moeda funciona como um banco).

 

Claro, a força econômica dos Estados Unidos começou no fim do século XIX, com os ventos da Revolução Industrial, mas foi na Segunda Guerra Mundial que o país ganhou poder econômico, vendendo armas e agiotando países envolvidos no conflito. A superpotência unipolar emergiu em 1991, com a desagregação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e o fim da Guerra Fria. A partir daí, os Estados Unidos viraram xerifes do mundo, sem qualquer contestação real.

 

Como a história não segue uma trilha linear, não demorou para o mundo se reconfigurar num breve espaço de tempo. O império americano está desmoronando cedo demais. Em poucos mais de um século - contando do final do século XIX - os Estados Unidos deixarão de ser a única potência econômica e tecnológica do mundo. Uma ninharia de tempo em comparação com os 15 séculos de domínio do Império Romano.

 

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A recente agressão contra a Venezuela não está direcionada à pilhagem da maior reserva de petróleo do mundo. Os Estados Unidos são o maior produtor mundial do produto, apesar de ganhar muita grana importando petróleo por um preço e vendendo o excedente por um valor muito maior. A invasão ao país irmão está dentro da mesma lógica que levou os EUA a invadirem o Iraque e a Líbia e matarem seus líderes. Eles, os Estados Unidos, precisam que o petróleo explorado e produzido no mundo seja negociado em dólar, ou seja, dentro do seu sistema monetário.

 

Cada dólar movimentado no planeta retorna para o país e fortalece sua economia. Sem as operações com a moeda americana, os Estados Unidos mergulham em crise, com recessão e inflação alta. Cada 0,1% a mais na inflação da maior economia do mundo representa desemprego e descontrole no preço dos alimentos. O Iraque e a Líbia quiseram criar moedas próprias para comercialização do seu petróleo. O resultado já sabemos. Sadam e Gaddafi foram mortos e seus países destruídos pela guerra e pela miséria.

 

 

 

A Venezuela não pensou em criar moeda própria, mas estava negociando seu petróleo em yuan, moeda chinesa, e em rublo, moeda russa. Pronto. Foi o suficiente para os gringos desesperados repetirem o que fizeram na Líbia e no Iraque. Não mataram Maduro, mas o sequestraram e o meteram numa prisão fétida dos EUA. A ressurreição da Doutrina Monroe pelo neonazista Donald Trump cumpre o mesmo papel hoje de quando foi criada. Em 1823, foi um recado para a Santa Aliança (Prússia, Áustria, Rússia) e ao império britânico para não se intrometerem na América, pois o continente pertencia aos americanos - leia-se, Estados Unidos.

 

Esse ato de desespero não encontra guarida nos dias de hoje, mesmo se impondo pela força. Claro, Trump deverá expandir a agressão norte-americana aos países da América Latina e chegará até à Groelândia, mas nada impedirá o que já está em curso: a queda da supremacia unipolar dos Estados Unidos.

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

O mundo já vem apresentando bons sinais de multipolaridade. A própria agressão à Venezuela mostrou isso, com Estados nacionais de todos os continentes condenando o desrespeito à soberania do país, coisa que não aconteceu em outras invasões americanas.O sistema monetário dos Estados Unidos já não é o único no mundo. Os BRICs têm um banco fortíssimo, bem administrado pela presidente Dilma Rousseff, e caminham para criação de uma moeda. Os gringos do norte não podem invadir a China, a Índia, a África do Sul, a Rússia e outros países que compõem o bloco.

 
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Trump é um bom agente para acelerar essa queda. Ele é estupido, beligerante e capaz de levar outros países para o novo sistema monetário, econômico e político que surge no planeta. Como é possível perceber, os Estados Unidos nunca se preocuparam com democracia e bem-estar social. O imperialismo é ladrão, saqueador, opressor e perverso. Sua queda é inevitável.

 
Lúcio Carril
Sociólogo 

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