Tirado do poder pelo povo e sem poder interferir na PF, resta ao ex-presidente explicar ao eleitor investigações que pesam contra ele.
Essa semana passou como um furacão sobre a família Bolsonaro. Inelegível, o patriarca Jair já esperava o indiciamento no caso das joias sauditas. Ao contrário de outras investigações como o gabinete do ódio, fraude no cartão de vacina ou tentativa de golpe de Estado, a das joias não exige muito mais do que uma frase para o eleitor entender e formar juízo.
O caso das joias é aquele em que a defesa gastará mais saliva para convencer o eleitor do que a acusação. A Polícia Federal é didática: a investigação concluiu que Bolsonaro e mais 11 pessoas próximas a ele venderam ilegalmente joias do acervo Presidencial. É impossível você ler isso sem lembrar da imagem daqueles colares luxuosos brilhando. Ao longo da investigação, o ex-presidente sempre negou irregularidades.
A PF está convencida por provas de que foram praticados os seguintes crimes: peculato (se apropriar de valor ou bem público), associação criminosa, e lavagem de dinheiro. A notícia continuará quente pelos próximos dias conforme forem se tornando públicas as provas coletadas pela PF.
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As notícias ruins se estenderam ao filho preferido do capitão, o vereador Carlos Bolsonaro (PL). Ele também é investigado pelos mesmo crimes, mas em outra situação. A 3ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada apura prática de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa em mais um clássico suposto esquema de rachadinha - quando assessores devolvem parte do salário que receberam ao vereador.
Essa investigação contra Carlos, como no caso das joias, já era conhecida. A novidade está em uma série de reportagens publicadas pelo ICL Notícias detalhando relatórios sobre a movimentação do dinheiro. A defesa de Carluxo, como é chamado entre os familiares, não se manifestou dizendo que o caso corre em sigilo.
Rachadinha, aliás, foi uma palavra que perseguiu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por muito tempo até que as provas fossem anuladas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). A notícia sobre ele nesta semana veio em outra frente.
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O jornal O Estado de S. Paulo revelou que o filho 01 do capitão quitou em seis parcelas o financiamento de R$ 3,4 milhões feito para comprar uma mansão de R$ 6 milhões em Brasília. Os pagamentos foram de R$ 198 mil a R$ 997 mil. A princípio não há crime nessa movimentação. Mas a notícia detalhando a vida a financeira do senador não deixa de ser incômoda. Sobre esses pagamentos, ele disse em nota, que "para a decepção de quem torce contra, todos os recursos, como sempre, são lícitos e fruto do suor de meu trabalho”.
Como se vê, para a família que nos últimos 30 anos enriqueceu ocupando cargos públicos e empregando amigos, aliados e milicianos, dinheiro não é uma questão. O problema mesmo é a origem e o uso desse dinheiro, nos informam as investigações do Ministério Público e da Polícia Federal.
Após o indiciamento no caso das joias, o clã correu para as redes sociais para dizer que está sendo perseguida por policiais “escalados a dedo” por Lula (PT). A afirmação é vazia, sem indícios que a sustentem. O que sabemos quando o assunto é interferência de um presidente sobre a Polícia Federal foi dito por Bolsonaro na fatídica reunião de 22 de abril de 2020. Na ocasião, o mandatário esbravejou para o então ministro da Justiça, Sergio Moro, e qualquer um ouvir:
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“Eu não vou esperar f*der minha família toda de sacanagem, ou amigo meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence à estrutura. Vai trocar. Se não puder trocar, troca o chefe dele. Se não puder trocar o chefe. Troca o ministro. E ponto final. Não estamos aqui para brincadeira”, disse.
Tirado do poder pelo povo e sem poder trocar ninguém, resta ao ex-presidente Bolsonaro explicar à Polícia Federal e ao eleitor outras investigações em curso:
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Fotos: Reprodução/Google
- inquérito das fake news
- interferência na Polícia Federal
- existência de milícia digital que atua para minar o Estado Democrático de Direito
- possível vazamento de dados de investigação sigilosa da PF
- atos do feriado de 7 de setembro de 2021
- fake news que relacionava a vacina contra a Covid-19 à Aids
- adulteração de cartões de vacina (nessa, ele está para ser indiciado também)
- tentativa de golpe de Estado e atentado ao Estado democrático de direito.
Fonte: com informações do Portal Terra
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