20 de Abril de 2026

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Política - 25/05/2024

A nova estratégia de Lula: carimbar Bolsonaro com o selo da destruição ambiental

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Foto: Reprodução/Google

Presidente redireciona ações do governo, mexe nas estatais e põe foco na prevenção contra efeitos das mudanças climáticas como trincheira de combate à extrema direita

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva trocou o comando da Petrobras, indicou técnicos de confiança que, a partir da saída de Roberto Campos Neto, serão maioria no Banco Central e, de quebra, agarrou com as unhas e dentes o plano em gestação no Ministério do Meio Ambiente para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas no Brasil.

 

É um novo momento do Lula 3, que parte com tudo para colar em seu principal adversário, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o carimbo da destruição ambiental como estratégia para enfrentar a extrema direita entrincheirada no segmento mais atrasado do agro brasileiro, ao qual especialistas atribuem boa parte da degradação que potencializou a calamidade no Rio Grande do Sul, com o comprometimento dos parâmetros de proteção à floresta amazônica.

 

E não é um selo artificial. Nos quatro anos de Bolsonaro, o País perdeu 6,6 milhões de hectares de cobertura vegetal, o equivalente em extensão territorial a um estado e meio como o Rio de Janeiro, além, é claro, do desmonte dos órgãos ambientais e do rastro de destruição deixado em garimpos ilegais que fizeram parte da política do governo anterior.

 

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Na terça-feira, 20, percebendo que a bandeira climática pode afetá-lo, Bolsonaro fez uma visita à cúpula da poderosa Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), acompanhado de um dos filhos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).Na reunião de portas fechadas com duas dezenas de deputados e senadores de direita na mansão da FPA no Lago Sul, em Brasília, o ex-presidente acusou o golpe: pediu apoio da bancada ruralista, um sintoma de que o agro radical, que gravita no bolsonarismo, está mal na foto diante das tragédias ambientais.Com menos de um ano e meio de governo, Lula assume agora uma postura que, segundo especialistas, adotou também no primeiro mandato depois de quase naufragar no mensalão.

 

• O presidente pegou firme as rédeas da máquina federal e quer a Petrobras, Banco Central e estatais sob seu comando e controle, alinhados com a política de seu governo, seja na produção de petróleo e gás ou na derrubada dos juros para, como quer o mercado, atrair investimentos e implementar as políticas sociais que sempre foram sua marca.
• Com a saída de Roberto Campos Neto do BC, em 31 de dezembro, e a posse da nova presidente da Petrobras, Magda Chambriard, o governo abre caminho para fortes mudanças na economia.

 

• Em nenhuma delas, no entanto, ele apostou tanto como no caso da crise climática. Lula se comprometeu a reduzir as emissões e a reduzir a zero o desmatamento na Amazônia até 2030, algo que vem conseguindo.
• Mas deixou com a ministra Marina Silva a responsabilidade por um ousado plano de governo destinado a apontar os caminhos para atenuar os impactos dos extremos do clima, ao mesmo tempo em que instruiu outros órgãos do governo, inclusive a Abin (Agência Brasileira de Inteligência), a participar dos esforços para evitar as sucessivas tragédias provocadas por enchentes, deslizamentos de terra e os incêndios florestais.

 

 

O cientista político Leonardo Barreto diz que Lula agiu rápido e, de olho numa bandeira política que estava em falta no núcleo governista, não repetirá o erro de seu antecessor no trato da pandemia. “Lula tem um instinto agudo de sobrevivência. Percebeu o tamanho da ameaça climática e vai usar as ações do governo na redução da tragédia para se diferenciar de Bolsonaro e se reconectar com a população. A disposição de exercer o poder e ocupar os espaços não tem paralelo na trajetória dele”.Plano marshall

 

No momento mais agudo da tragédia gaúcha, o governador Eduardo Leite (PSDB) chegou a sugerir que só um “Plano Marshall” poderia recuperar o estado, um “cavalo encilhado” que Lula não deixou passar. O presidente articulou um mutirão ministerial, levantou cerca de R$ 60 bilhões de recursos federais que serão canalizados ao estado para socorrer a população e, passando um trator por cima dos adversários, criou uma Secretaria Extraordinária de Reconstrução, com status de Ministério, para cuidar do Rio Grande do Sul e, como autoridade federal, nomeou o deputado licenciado e ex-ministro da Comunicação Social (Secom), Paulo Pimenta.Ele deixa o governo entregando um Lula com popularidade baixa, mas, como pré-candidato ao governo estadual, virou a única esperança de resgate do PT gaúcho, que vive uma abstinência de poder desde o governo de Tarso Genro, encerrado em 2015.

 

Com a mudança, Lula não só mexe na comunicação do governo, como faz da crise climática uma trincheira contra o bolsonarismo, algo que a direita já percebeu. “Ele quer usar a tragédia como arma eleitoral contra nós. Criou um ministério extraordinário e indicou um ‘biônico’ com a autoridade que pertence ao governador Eduardo Leite. É oportunismo político”, reagiu o senador Eduardo Girão (Novo-CE), que se diz independente, mas é ligado a Bolsonaro e integra a bancada ruralista da FPA.

 

Fotos: Reprodução/Google

 

Os protestos partiram também do PSDB. O deputado Aécio Neves (MG) saiu em defesa de Leite, acusando Lula de fazer intervenção no Rio Grande do Sul e de politizar as ações do governo federal. “Lula abdicou do papel de estadista para optar por cumprir um papel de líder político”, reclamou Aécio, que ainda considerou a indicação de Pimenta como uma “excrecência” que, segundo afirma, gerará conflito entre autoridades. O novo ministro desdenhou, afirmando que não conhecia o neto de Tancredo Neves.

 
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Com o apoio de apenas 13 dos 81 senadores e 70 dos 513 deputados federais, em vez de vociferar contra a maioria conservadora do Congresso, Lula foi à luta judicializando as questões mais importantes para o governo. Conseguiu um marco importante com a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que suspendeu os efeitos das desonerações sobre as folhas de 17 setores da economia e municípios com menos de 142 mil habitantes, até que governo e Congresso se entendessem em torno de um novo projeto, que é o que interessava a Lula.Num ano com eleições municipais, mesmo depois de ter afirmado que não haveria desoneração para ricos, Lula voltou atrás e levantou a bandeira da paz com empresários e os cerca de três mil prefeitos que “marcharam” até Brasília na terça-feira, 20.

 

Fonte: com informações da Revista IstoÉ

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