A ordenação de mulheres é considerada um dos crimes mais graves pelo Vaticano
A ordenação de mulheres em padres é considerada um dos crimes mais graves pelo Vaticano e passível de excomunhão (expulsão). A Igreja Católica argumenta que não ordena mulheres como sacerdotisas porque não tem sequer essa faculdade.
Além disso, também argumenta que segue uma tradição iniciada por Jesus Cristo, que apenas escolheu homens como discípulos. Mas esta tese tem sido cada vez mais questionada a partir de estudos antropológicos que resultou no polêmico filme "Madalena" (2018).
A tese do filme "Madalena" é inspirada em evangelhos apócrifos que apontam Maria Madalena como a primeira pessoa a ter contato com Cristo após sua crucificação. Dessa maneira, Maria é tratada como apóstola. Obviamente, o Vaticano não reconhece essa história, pois, caso o fizesse a referida tradição cairia por terra.
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Reportagem da BBC conta a história de Anne Tropeano, ordenada padre em uma igreja de Albuquerque, localizada no Novo México, nos EUA.
Como era de se esperar, Tropeano convive com ameaças de morte e assédio moral massivo nas redes. Mas ela não está sozinha, cerca de 200 mulheres no mundo compõem um movimento de mulheres padres da Igreja Católica. O Vaticano considera tal movimento uma afronta.

O movimento de mulheres padres também possui forte presença na América Latina e Europa e atende pelo nome de "Eu também sou igreja".
O Brasil também possui uma mulher ordenada padre: Ana Maria de Almeida, que foi ordenada em 2008 na capela de São Lázaro, no bairro São Benedito, em Santa Luzia, localizado na região metropolitana de Belo Horizonte.
Excomunhão

"A excomunhão foi a razão que me impediu de cogitar ser padre por muito tempo. Eu ia à missa todos os dias. Eu trabalhava na paróquia, toda a minha vida estava na igreja. Pensar em desistir daquilo - eu não conseguia nem imaginar", diz Tropeano à BBC.

Tropeano e as mulheres que lutam para serem ordenadas, classificam o movimento como uma forma de luta política contra uma regra que elas consideram sexista da Igreja Católica.

O momento de maior visibilidade das mulheres padres se deu em 2002, quando um grupo de sete mulheres participou de um serviço de ordenação não aceito pela Igreja Católica, a bordo de um navio no rio Danúbio. O ato se deu em águas internacionais para evitar atrito com qualquer região eclesiástica.
Anne Tropeano possui um canal no YouTube onde compartilha mensagens cristãs.
Portas fechadas às mulheres

Fotos: Reprodução
As mulheres padre se tornaram alvo do então cardeal Joseph Ratzinger, que depois se tornaria papa Bento 16, que declarou que "como as mulheres não mostraram sinais de arrependimento pela mais séria ofensa que cometeram, elas incorreram em excomunhão".
Em 2016, o Papa Francisco também defendeu a tese de que mulheres não devem ser padres e, quando questionado, ele indicou um documento de 1994, do Papa João Paulo 2, em que é afirmado que "a porta está fechada para ordenação de mulheres" e, para o Papa Francisco, tal documento "permanece vigente".
Além da ordenação de mulheres, o fim das normas misóginas, o movimento das mulheres também defende que as pessoas divorciadas e LGBT+ podem e devem se sentar à mesa da comunhão.
Assista:
Fonte: Com informações da Revista Forum e BBC
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