05 de Dezembro de 2025

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Comportamento - 10/11/2025

A epidemia invisível: quando a internet vira consultório e a psiquiatria pede calma

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Foto: Reprodução/Google

Diante desse cenário, surge a pergunta inevitável: o que está realmente acontecendo com a saúde mental da nossa população?

Vivemos a era do diagnóstico fácil. A cada semana parece surgir um novo amigo ou familiar que, depois de uma rolagem intensa nas redes sociais, se autodeclara dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). A sensação é de uma explosão, uma epidemia silenciosa que se espalha pelas salas de aula e pelos escritórios. Diante desse cenário, surge a pergunta inevitável: o que está realmente acontecendo com a saúde mental da nossa população?

 

Um dos nomes mais respeitados da psiquiatria infantil e juvenil no mundo, o brasileiro Luís Augusto Rohde, recém-premiado com o que muitos chamam de “Oscar da saúde mental”, vem para desafiar essa percepção. Sua afirmação é direta e contundente: a prevalência real de TDAH e autismo não está aumentando. O que aconteceu é que finalmente aprendemos a enxergar.

 

Esses transtornos não brotaram do nada. A medicina, enfim, tirou a venda dos olhos. O autismo, por exemplo, deixou de ser visto sob uma ótica restrita e ultrapassada. Hoje, os critérios são mais abrangentes e justos, contemplando meninas, adultos e pessoas nas pontas mais sutis do espectro. O mesmo vale para o TDAH, que durante décadas foi reconhecido apenas em meninos agitados e impulsivos, deixando de lado milhares de pessoas que sofriam em silêncio com sintomas menos visíveis. Essa ampliação do olhar e a maior conscientização, impulsionadas por pesquisas como as do Dr. Rohde, explicam o “boom” de diagnósticos. É como acender a luz em um quarto escuro: o que sempre esteve ali, agora pode ser visto.

 

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Mas o perigo mora justamente na facilidade. Quando o diagnóstico vira meme ou trend de rede social, perde-se o foco no que realmente importa: o prejuízo funcional. Um diagnóstico de saúde mental não é uma etiqueta ou um teste online, mas o resultado de uma avaliação clínica complexa, que considera a intensidade dos sintomas e o quanto eles desorganizam a vida da pessoa. O risco do subtratamento para quem realmente precisa é enorme, mas o oposto — o excesso de autodiagnóstico — também é um problema crescente.

 

Por isso, a informação qualificada e o cuidado no diagnóstico são as únicas defesas contra a desinformação que, essa sim, está em plena expansão. A busca pelo entendimento desses transtornos é, na verdade, uma busca por identidade. Mais do que rótulos, precisamos de acurácia, empatia e um sistema de saúde mental capaz de diferenciar traços de personalidade de patologias reais.

 

Fotos: Reprodução/Google

 

O desafio do nosso tempo não está no aumento dos casos, mas em como acolhemos a complexidade do cérebro humano sem cair na armadilha da simplificação digital. Afinal, compreender o outro é um ato de ciência e de humanidade — e nenhuma rolagem de tela substitui isso.

 
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Fontes:
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) – Programa de Pós-Graduação em Psiquiatria e Ciências do Comportamento
Revista The Lancet Psychiatry – artigos de Luis Augusto Rohde sobre TDAH e TEA
Organização Mundial da Saúde (OMS) – Classificação Internacional de Doenças (CID-11)
Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) – Diretrizes sobre diagnóstico e tratamento de TDAH e TEA
 

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