30 de Abril de 2026

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Elas nos inspiram - 03/12/2025

A delegada que enfrenta as arenas virtuais e salva meninas na madrugada: 'Os pais não fazem ideia do perigo'

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Foto: Reprodução/Google

A maior dificuldade, segundo a delegada, é a velocidade com que os criminosos migram entre plataformas, apagam rastros e exploram brechas de privacidade.

Em meio ao avanço acelerado da violência digital no Brasil, um núcleo especializado da Polícia Civil de São Paulo tornou-se referência na identificação e no resgate de crianças e adolescentes vítimas de crimes em ambientes virtuais. À frente dessa operação está a delegada Lisandrea Salvareiego Colabuono, chefe do Núcleo de Operações e Articulações Digitais (Noad), que celebra uma marca significativa — e ao mesmo tempo alarmante.

 

Em apenas um ano de trabalho, o Noad conseguiu salvar 329 vítimas, sendo a maioria meninas submetidas a “arenas virtuais”, espaços onde adolescentes são coagidos a se machucar, cumprir desafios violentos ou sofrer humilhações públicas transmitidas em tempo real. Segundo a delegada, muitos desses episódios ocorrem durante a madrugada, longe da supervisão dos pais e responsáveis. “A maior parte das famílias não sabe que isso existe, nem imagina o nível de crueldade desses ambientes”, afirma.

 

O mesmo período registrou 112 adolescentes apreendidos por participação ativa nessas agressões — muitos deles atuando como líderes, instigadores ou organizadores das arenas. A polícia também prendeu 42 adultos envolvidos em crimes como estupro virtual, exploração sexual digital e indução à automutilação.

 

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Uma nova fronteira da violência

 

 

 


Com 18 anos de carreira, experiência na divisão de homicídios e passagem pela Delegacia da Mulher, Lisandrea conta que nunca havia presenciado tamanha escalada de brutalidade e exposição de vulneráveis no ambiente digital. Os crimes, antes isolados, agora crescem em redes coordenadas, muitas vezes com transmissão ao vivo, listas de desafios e competições entre grupos.

 

A delegada destaca que o fenômeno atinge principalmente adolescentes entre 11 e 16 anos, faixa etária marcada pela hiperconexão e pela busca por pertencimento em comunidades virtuais. “Eles entram achando que é um jogo, e quando percebem, já estão sendo extorquidos, ameaçados ou obrigados a cumprir ordens sob risco de exposição.”

 

O desafio da investigação digital

 

 

 


O trabalho da equipe do Noad envolve monitoramento constante, análise de dados, rastreamento de perfis, intervenção imediata e articulação com delegacias regionais para ações de campo. Muitas operações começam com denúncias anônimas e passam por análises que podem durar minutos — tempo crucial para impedir que uma cena de violência se agrave. A maior dificuldade, segundo a delegada, é a velocidade com que os criminosos migram entre plataformas, apagam rastros e exploram brechas de privacidade. “É um jogo de xadrez que acontece em tempo real”, resume.

 

Pais: vigilância ativa é essencial

 

Fotos: Reprodução/Google

 


Lisandrea reforça que a proteção começa dentro de casa. Ela recomenda que pais e responsáveis:

 

• acompanhem os horários de uso dos dispositivos,
• conversem de forma aberta sobre riscos digitais,
• monitorem comportamentos repentinos de isolamento,
• e conheçam os aplicativos que os filhos utilizam.
“Os pais não têm a menor ideia do que está acontecendo nessas plataformas. Precisamos que eles estejam presentes, atentos e dispostos a dialogar”, alerta.

 
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Um alerta sobre o que vem pela frente

 


Para a delegada, o combate ao crime digital exige educação, tecnologia e políticas públicas mais robustas. A previsão é de que os ataques virtuais se tornem ainda mais sofisticados e frequentes, exigindo equipes maiores, investimentos contínuos e legislações específicas para enfrentar delitos que, muitas vezes, começam na tela do celular, mas terminam em consequências irreversíveis no mundo real.
 

 

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