27 de Junho de 2026

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Comportamento - 27/06/2026

A crise da masculinidade: quando o poder deixa de ser privilégio e passa a ser escolha

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Foto: Reprodução/Google

Mais do que uma reflexão sobre homens e mulheres, uma das transformações sociais mais profundas do século XXI

Durante séculos, muitas sociedades foram estruturadas sobre uma lógica em que os homens ocupavam posições privilegiadas de poder político, econômico, religioso e familiar. Não porque fossem necessariamente mais preparados, mas porque os sistemas sociais foram construídos para lhes garantir esse protagonismo. Nesse contexto, o homem não precisava ser escolhido: ele era considerado indispensável.

 

Hoje, porém, essa realidade está mudando.

 

A ampliação dos direitos das mulheres, o acesso à educação, a independência financeira feminina, a presença crescente em cargos de liderança e a transformação das relações afetivas criaram um novo cenário. Um cenário onde ninguém possui um lugar garantido apenas por sua condição biológica. E é justamente nessa transição que muitos estudiosos identificam o que vem sendo chamado de “crise da masculinidade”.

 

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O que realmente está em crise?

 

 

 


Talvez não seja a masculinidade em si que esteja em crise. O que está em crise é um modelo de masculinidade construído sobre privilégios históricos. Durante muito tempo, a identidade masculina esteve associada ao papel de provedor, chefe da família, autoridade máxima e principal detentor do poder econômico. Quando as mulheres passaram a ocupar universidades, empresas, espaços políticos e posições de comando, muitos homens passaram a enfrentar uma pergunta para a qual não haviam sido preparados:

 

Quem sou eu quando não sou mais o único a decidir? Essa pergunta produz insegurança. Para alguns homens, ela se transforma em crescimento. Para outros, em ressentimento. Não por acaso, diversos movimentos contemporâneos surgem defendendo um retorno a modelos tradicionais de relacionamento e de organização social, frequentemente baseados na ideia de que o avanço feminino seria responsável pelo sofrimento masculino. Mas a realidade é mais complexa.

 

O fim da necessidade e o início da escolha

 

 

 


Durante gerações, muitas mulheres dependiam economicamente dos homens para sobreviver. Casamentos eram frequentemente motivados pela segurança financeira e pela falta de alternativas sociais. Hoje, milhões de mulheres trabalham, estudam, empreendem e sustentam suas famílias. Isso significa que o homem deixou de ser necessário como condição de sobrevivência. Mas isso não significa que ele deixou de ser importante. Pelo contrário. Significa apenas que sua presença precisa gerar valor humano, emocional, intelectual e afetivo. Em outras palavras, a autoridade automática foi substituída pela construção diária de confiança, respeito e parceria. O desafio não é pequeno. Ser escolhido exige mais do que possuir recursos materiais. Exige caráter. Exige inteligência emocional. Exige capacidade de diálogo. Exige empatia.

 

A Realidade Brasileira

 

No Brasil, essa mudança ocorre de forma intensa e contraditória. Ao mesmo tempo em que as mulheres conquistam espaços históricos, continuam enfrentando desigualdades salariais, violência doméstica, assédio e sub-representação em posições de poder. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a violência contra mulheres permanece em níveis alarmantes. Paralelamente, cresce o número de famílias chefiadas por mulheres e aumenta a presença feminina no ensino superior. Esses avanços representam conquistas sociais importantes, mas também desafiam estruturas culturais profundamente enraizadas. Em muitos casos, homens foram educados para exercer controle, enquanto mulheres foram educadas para obedecer. Quando essa lógica se rompe, surgem conflitos. Não porque a igualdade seja o problema. Mas porque toda mudança de paradigma produz desconforto.

 

O Cenário da Região Norte

 

 

 


Na Amazônia, essas transformações possuem características próprias. A região convive simultaneamente com tradições culturais conservadoras e com um crescente protagonismo feminino em áreas como educação, empreendedorismo, gestão pública, comunicação e movimentos sociais. Mulheres ribeirinhas, indígenas, urbanas e periféricas vêm ocupando espaços historicamente negados. Ao mesmo tempo, persistem desafios relacionados ao machismo estrutural, à violência doméstica e à dificuldade de acesso a políticas públicas. Nesse contexto, a discussão sobre masculinidade torna-se ainda mais necessária. A Amazônia precisa de homens capazes de compreender que igualdade não significa perda. Significa compartilhamento. Não significa diminuição. Significa evolução.

 

O Risco da Reação

 


Historicamente, toda ampliação de direitos foi acompanhada por movimentos de resistência. Aconteceu com o fim da escravidão. Aconteceu com o voto feminino. Aconteceu com os direitos civis. E acontece agora com as pautas de igualdade de gênero. Parte da chamada “crise da masculinidade” nasce justamente da dificuldade de aceitar que relações baseadas em hierarquia estão sendo substituídas por relações baseadas em reciprocidade. Quando alguém está acostumado ao privilégio, a igualdade pode parecer perda. Mas não é. É apenas justiça.

 

O Homem do Futuro

 

 

 


As próximas décadas devem aprofundar ainda mais essa transformação. A automação, a inteligência artificial, o trabalho remoto e as novas formas de organização familiar continuarão redefinindo papéis sociais. Nesse cenário, o homem que prosperará não será necessariamente o mais forte fisicamente ou o mais autoritário. Será aquele capaz de cooperar. De aprender continuamente. De construir relações saudáveis. De exercer liderança sem dominação. De compreender que vulnerabilidade não é fraqueza. O futuro pertence menos à competição entre homens e mulheres e mais à capacidade de ambos construírem parcerias equilibradas.

 

 

Posicionamento do Portal Mulher Amazônica

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 


O Portal Mulher Amazônica entende que a busca pela igualdade não é uma guerra contra os homens. É uma luta contra estruturas históricas de exclusão. Defendemos uma sociedade em que mulheres tenham oportunidades reais de participação, autonomia e liderança, sem que isso seja percebido como ameaça. Também acreditamos que os homens precisam ser incluídos nesse debate, não como adversários, mas como agentes fundamentais da transformação social.

 
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A verdadeira crise não está na masculinidade. Está na incapacidade de alguns setores da sociedade de compreender que poder compartilhado gera comunidades mais justas, famílias mais saudáveis e relações mais humanas. O desafio do nosso tempo não é decidir quem manda. É aprender a caminhar juntos.

 

Fontes:
Fórum Econômico Mundial – Relatório Global de Desigualdade de Gênero?
UNESCO Brasil?


 

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