29 de Junho de 2026

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Mulher na Política - 29/06/2026

90 anos depois da primeira deputada, mulheres ainda enfrentam barreiras na política

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Foto: Reprodução

Quase noventa anos depois, o legado de Carlota permanece vivo

Em 1933, o Brasil assistiu a um acontecimento que alteraria para sempre a história da participação feminina na vida pública. A médica, educadora e escritora Carlota Pereira de Queirós tornou-se a primeira mulher eleita deputada federal no país, ocupando uma cadeira na Assembleia Nacional Constituinte responsável pela elaboração da Constituição de 1934.

 

Sua eleição ocorreu pouco tempo após a conquista do direito ao voto feminino, garantido pelo Código Eleitoral de 1932. Para muitas brasileiras da época, a presença de uma mulher no Parlamento representava o início de uma nova era, marcada pela esperança de maior participação feminina nos espaços de decisão.

 

Quase noventa anos depois, o legado de Carlota permanece vivo. No entanto, a trajetória das mulheres brasileiras demonstra que a conquista do direito de participar não eliminou as barreiras que historicamente limitaram sua presença nos espaços de poder.

 

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A pioneira que abriu caminhos

 

 

Nascida em São Paulo, Carlota Pereira de Queirós destacou-se em uma época em que a presença feminina no ensino superior ainda era exceção. Formou-se em Medicina, construiu uma carreira respeitada e passou a atuar em causas ligadas à educação, à assistência social e à proteção da infância.

 

Ao ingressar na política, levou para o Parlamento uma perspectiva até então ausente nas discussões nacionais. Sua atuação foi marcada pela defesa da educação pública, da saúde e de políticas voltadas à inclusão social.

 

Mais do que representar as mulheres, Carlota simbolizou a quebra de uma estrutura que reservava aos homens o monopólio das decisões políticas. Sua eleição mostrou que as mulheres não apenas tinham direito à participação política, mas também possuíam competência para influenciar os rumos do país.

 

O Brasil mudou, mas os obstáculos permaneceram

 

 

Desde então, o Brasil registrou avanços importantes. As mulheres conquistaram maior acesso à educação, ampliaram sua participação no mercado de trabalho, alcançaram posições de liderança e passaram a ocupar cargos estratégicos nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

 

A presença feminina em universidades tornou-se majoritária em diversas áreas. Mulheres assumiram ministérios, governos estaduais, prefeituras, tribunais superiores e a própria Presidência da República. Entretanto, os números ainda revelam uma realidade desigual.

 

Embora representem mais da metade da população brasileira e do eleitorado nacional, as mulheres continuam sub-representadas em diversos espaços de poder. A participação feminina nos parlamentos permanece abaixo do esperado para uma democracia que se pretende inclusiva. Essa disparidade evidencia que a igualdade formal prevista em lei nem sempre se traduz em igualdade de oportunidades na prática.

 

A violência que tenta silenciar vozes femininas

 

 

Se no passado as barreiras eram explícitas, atualmente elas assumem formas mais sofisticadas. A violência política de gênero tornou-se um dos maiores desafios enfrentados pelas mulheres que ingressam na vida pública. Ataques pessoais, intimidações, campanhas de descredibilização e discursos de ódio nas redes sociais são frequentemente utilizados para afastar mulheres dos espaços de liderança.

 

O problema não se restringe à política. Em diferentes setores da sociedade, mulheres ainda enfrentam discriminação, assédio, desigualdade salarial e dificuldades para alcançar posições de comando.

 

Muitas vezes, são cobradas a demonstrar competência de maneira mais intensa do que seus colegas homens. Outras precisam conciliar jornadas exaustivas de trabalho, cuidados familiares e responsabilidades domésticas que ainda recaem de forma desproporcional sobre elas.

 

O legado que atravessa gerações

 

 

A história de Carlota Pereira de Queirós demonstra que nenhum avanço ocorre por acaso. Cada espaço ocupado por uma mulher hoje foi precedido pela coragem de outras que desafiaram normas sociais, enfrentaram preconceitos e recusaram o silêncio.

 

Sua trajetória continua sendo um símbolo da capacidade feminina de transformar realidades e influenciar decisões que impactam toda a sociedade. Ao olhar para o presente, torna-se evidente que a luta iniciada por pioneiras como Carlota ainda não terminou.

 

O desafio contemporâneo não é apenas garantir que as mulheres tenham acesso aos espaços de poder, mas assegurar que possam permanecer neles com respeito, segurança, igualdade e reconhecimento.

 

Posicionamento do Portal Mulher Amazônica

 

Fotos: Reprodução

 

O Portal Mulher Amazônica reconhece a importância histórica de Carlota Pereira de Queirós e de todas as mulheres que abriram caminhos para as gerações seguintes. Defendemos que a democracia somente será plena quando houver participação feminina efetiva em todos os níveis de decisão, com igualdade de oportunidades e respeito à diversidade das experiências vividas pelas mulheres brasileiras.

 

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Entendemos que a promoção da equidade de gênero não é uma pauta exclusiva das mulheres, mas uma condição indispensável para o fortalecimento da justiça social, da cidadania e do desenvolvimento do país. Noventa anos após a eleição da primeira deputada federal do Brasil, celebrar essa conquista é importante. Mais importante ainda é reconhecer que a construção de uma sociedade verdadeiramente igualitária continua sendo uma tarefa urgente e coletiva.

 

Fontes:
Câmara dos Deputados – Carlota Pereira de Queirós
Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
Fórum Econômico Mundial – Relatórios sobre Desigualdade de Gênero 

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