20 de Abril de 2026

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Política - 04/09/2025

'Toda vez que Trump der um passo contra o Brasil, vai ampliar a coalizão de Lula em torno da bandeira nacional', avalia cientista político

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Foto: Reprodução/Google

Antonio Lavareda, cientista político do instituto de pesquisas Ipespe, avalia que, do ponto de vista político, o presidente Lula pode se beneficiar do julgamento de Bolsonaro no STF, principalmente se Trump agir. Para o analista, porém, o veredito da Cort

A investida do presidente dos EUA, Donald Trump, para influenciar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro permitiu ao governo Lula disputar contra o bolsonarismo de forma inédita as simbologias associadas ao patriotismo, recolocando o presidente numa "melhor posição de largada" para as eleições de 2026.

 

Essa é a avaliação do cientista político Antonio Lavareda, presidente do conselho científico do instituto de pesquisas Ipespe e professor colaborador da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

 

Enquanto há a expectativa no mundo político de que o presidente americano volte a aplicar sanções contra o Brasil e membros do governo e do Supremo Tribunal Federal (STF) caso Bolsonaro seja condenado por tentativa de golpe de Estado, Lavareda avalia que, caso sejam confirmadas, as medidas podem reforçar a imagem do governo como defensor da pauta do orgulho nacional.

 

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"Do ponto de vista meramente político, com o efeito que desperta na população, a capacidade de mobilizar solidariedade e reforçar a coalizão tecnicamente chamada de around the flag, em torno da bandeira nacional, do símbolo, é óbvio que o governo Lula é beneficiado", opina. Na última sexta-feira, numa ampliação desse discurso, o governo federal lançou um novo slogan: "Governo do Brasil - Do lado do povo brasileiro", no lugar de "União e Reconstrução", adotado no início do atual mandato de Lula.

 

Na ocasião, o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, disse: "Agora, vivemos uma nova fase, em que o nosso país, nossa economia e conquistas da população vivem ameaças externas." A nova marca já está sendo usada em peças publicitárias e de comunicação institucional.

 

Mas Lavareda pondera que, caso uma eventual nova ofensiva de Trump afete de forma significativa a economia brasileira, o ganho do governo Lula pode ser anulado — ainda mais que a percepção da população sobre a situação econômica já é negativa, mesmo com dados positivos sobre desemprego, por exemplo.

 

"Isso vai exigir que o governo faça o esforço de persuasão a respeito do desempenho econômico do país, porque apenas as estatísticas oficiais não são capazes de criar esse tipo de sentimento [positivo] na população", diz. Especialista em comportamento eleitoral e marketing político, Lavareda também avalia que o caminho da direita para escolher o sucessor político de Bolsonaro para as eleições de 2026 está completamente indefinido, já que caberá exclusivamente ao ex-presidente decidir como e quando tomar sua decisão.

 

 

 

"Às vezes, algumas análises apressadas subestimam, no eleitorado de direita, o tamanho que o ex-presidente mantém", diz. A última pesquisa do Ipespe, de Lavareda, sobre quem os eleitores de direita consideram como sua maior liderança, coloca Bolsonaro como "líder inconteste" desse campo político. Para 67%, Bolsonaro segue sendo a grande liderança da direita, seguido pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), com 16%, e pelos governadores Ratinho Júnior (PSD), do Paraná, e Romeu Zema (Novo), de Minas, com 3% cada.

 

"A direita quer chegar ao Natal com a sucessão de 2026 resolvida. Mas Bolsonaro não tem pressa", resume Lavareda.Para o cientista político, o ex-presidente segue aguardando "fatos novos", inclusive mais ofensiva dos EUA, para decidir a quem (e se) passa o bastão. Paralelamente, ganha fôlego no Congresso uma campanha para anistiar Bolsonaro e outros condenados pelos ataques de 8 de janeiro, quando bolsonaristas invadiram as sedes dos três poderes, em Brasília.

 

 

 

Parlamentares de partidos do Centrão e o governador Tarcísio de Freitas trabalham por um acordo para anistiar o ex-presidente logo após o fim do julgamento do STF. Tarcísio inclusive chegou a dizer que seu "primeiro ato" numa eventual Presidência seria conceder uma anistia a Bolsonaro. Segundo a avaliação de Lavareda, tudo isso mostra que o julgamento em andamento no STF é só uma "partida" no embate entre bolsonaristas e o Judiciário.

 

"E as disputas de cada round vão ser resolvidas por pontos, não vai haver nocaute", diz. Uma dessas partidas será neste 7 de Setembro, no domingo, quando estão previstos atos de bolsonaristas em defesa da anistia ao ex-presidente. Para Lavareda, a depender do tamanho do ato, será possível visualizar "a quantas anda hoje na sociedade o potencial de mobilização dessa causa".

 

BBC News Brasil - O julgamento da tentativa de golpe já está tendo toda a atenção do país. Na sua avaliação, ele enfraquece a figura política de Bolsonaro ou, ao contrário, trará um fortalecimento da base bolsonarista, em torno do discurso de perseguição? Antonio Lavareda - À primeira vista, as sessões do julgamento, da forma como vêm se desdobrando, resultam em mais desgaste para a imagem do ex-presidente, o fragilizando politicamente. Não houve uma posição articulada das defesas que lhes conferisse alguma unidade de posicionamento. Desse modo, a narrativa sobre a "trama golpista" não foi refutada em uníssono.

 

A maioria dos acusados reconheceu a tentativa de ruptura da ordem democrática, com cada um deles apenas ressalvando a sua inocência individual. Quando você olha as pesquisas a respeito [do processo contra Bolsonaro] de vários institutos, você vê o seguinte: uma maioria da opinião pública, 55%, achou justa a prisão domiciliar de Bolsonaro, e 39% acharam injusta a prisão, segundo a pesquisa Quaest de agosto.

 

No final de julho, uma pesquisa do Ipespe, a Pulso Brasil, que é uma pesquisa bimestral, perguntava se as medidas cautelares impostas então ao ex-presidente Bolsonaro eram leves, adequadas, exageradas ou descabidas. 54% classificaram como leves ou adequadas, 43% como exageradas ou descabidas. Óbvio que o julgamento é outra coisa, mas é inegável que há uma certa conexão de atitudes e opiniões entre uma coisa e outra.

 

BBC News Brasil - Bolsonaro já entrou nesse julgamento como inelegível, por outras razões que já foram determinadas anteriormente. Isso quer dizer que a direita já precisa de um novo nome para as eleições de 2026. Na sua avaliação, o que o julgamento traz de novo nessa corrida eleitoral da direita? Lavareda -Vai depender muito das escolhas do ex-presidente Bolsonaro. Às vezes, algumas análises apressadas subestimam, no eleitorado de direita, o tamanho que o ex-presidente mantém.

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

A mesma pesquisa do Ipespe, a Pulso Brasil do final de julho, perguntava aos eleitores quem era o maior líder da direita do ponto de vista da representação das opiniões e dos valores desse segmento do eleitorado. Bolsonaro foi mencionado por 67% como a grande liderança do setor. O segundo colocado, governador Tarcísio de Freitas (de São Paulo), veio com apenas 16%.

 

Por que digo isso? O ex-presidente Bolsonaro se mantém como líder inconteste desse segmento. É ele que detém o bastão da condução desse processo. E não é por nada. O Brasil construiu na Nova República duas lideranças carismáticas. Primeiro, foi o presidente Lula. O segundo, que apareceu no século 21, foi Bolsonaro. É muito difícil imaginar que o país supere líderes carismáticos desse tamanho, mesmo em episódios difíceis. Lula, por exemplo, enfrentou o processo da acusação pelo petrolão, o julgamento, a prisão, etc., e emergiu como a grande força no espectro à esquerda.

 

A Bolsonaro estão colocadas três opções. Ele pode apoiar o nome de um candidato da direita, um dos governadores, sendo o mais cotado, preferido da chamada Faria Lima, o governador Tarcísio. A segunda opção é escolher o nome de um familiar seu. Ele conta com dois filhos em condições de sucedê-lo, o deputado Eduardo e o senador Flávio, e conta ainda com a sua esposa, Michelle.

 
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Ou ele pode, numa terceira alternativa que se abra, apoiar seu próprio nome. Ou seja, insistir na candidatura e manter essa candidatura até o momento do registro das chapas, seguindo uma estratégia utilizada pelo presidente Lula em 2018. Então, essa candidatura da direita passa pelo ex-presidente Bolsonaro. Agora, qual será o caminho que ele escolherá nós vamos ver mais adiante. 

 

Fonte: com informações Correio Braziliense

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