O ator é protagonista de 'O Debate', filme que mistura realidade e ficção ao abordar o desfecho da campanha eleitoral no pós-pandemia
O ator Paulo Betti, de 69 anos, dá vida ao meticuloso jornalista Marcos no filme 'O Debate', que estreia nesta quinta, 25, nos cinemas. Se, por um lado, o personagem é pragmático em sua profissão e sempre pensa duas vezes antes de publicar alguma informação, o ator que o encarna não se furta de assumir um lado, defender o que acredita e propor um debate.
Betti se tornou uma figurinha conhecida nos protestos contra o atual governo. Em junho de 2021, usou o Twitter para convidar quem pensava como ele a ir às ruas com a bandeira do Brasil. "Vamos recuperar esse símbolo", escreveu, na ocasião.
Em entrevista exclusiva concedida ao Terra, o ator lamentou que debater política tenha ganhado um tom mais violento nos últimos anos. O auto-exílio do ex-deputado federal Jean Wyllys é, para ele, um exemplo dessa radicalização.
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"Eu vou para as manifestações, eu gosto de ir, mas hoje eu fico mais atento", conta. "Ultimamente, tenho me preocupado com a minha segurança pessoal. Não porque tenha recebido muitas agressões (...) Mas hoje já penso se aquela pessoa que apoia o atual presidente... Se ela não pode tentar me agredir também", declara.
Para Debora Bloch, que interpreta Paula, também jornalista, no filme dirigido por Caio Blat, o ambiente político atual tem normalizado a violência. Ela chega a classificar a realidade como próxima ao terror.
"Pra mim isso é terrorismo, você entrar e matar uma pessoa numa festa de aniversário e isso ser normatizado", diz a atriz, indignada.
Sobre 'O Debate'

Fotos: Reprodução
Violência e o uso de armas são apenas dois dos diversos assuntos que 'O Debate' traz para discussão através dos personagens principais, Marcos e Paula. Na história, os dois jornalistas estão às voltas de publicar uma pesquisa que pode dar vantagem ao candidato da oposição, mesmo que ela não tenha sido registrada como manda a lei.
Esse embate dos casal é a porta de entrada para discutir mais que política, uma já que os dois estão se separando. O filme aborda amor, liberdade, democracia, monogamia, sexo, ética e ideologia. Como uma campanha para a presidencia da vida real, a discussão vai além da política.
Apesar dos assuntos, o estreante na direção Caio Blat garante que o filme não é político.
"A gente teve que voltar vários passos e defender princípios básicos. Então, o nosso filme basicamente defende as urnas, a democracia, a ciência e a vacina", declara.
Para o diretor, o cenário político fez com que o próprio debate retrocedesse. "A gente parou de falar o que realmente importa no país: a crise que tá aí, as pessoas passando fome de novo, um número absurdo de desemprego", enumera.
Para Jorge Furtado, que criou o livro e assinou o roteiro do filme junto com Guel Arraes, o bom debate precisa continuar acontecendo, mas algumas coisas não são passíveis de discussão. "A vacina é aquela coisa que não tem discussão. Não tem, não dá pra discutir vacina no século 21. A vacina é uma coisa do século 18", opina.
A atriz Debora Bloch reforça. "Quantas vidas poderiam ter sido salvas? E se não houvesse esse negacionismo não só da epidemia, mas também da eficácia da vacina? Quer dizer, a gente está voltando à pré-história, praticamente", avalia.
Fonte: Portal Terra
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