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Elas nos inspiram - 17/01/2024

'Sororidade se tornou inerente à minha vida', diz delegada Débora Mafra que dedica jornada em prol de vítimas da violência doméstica no Amazonas

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Foto: Reprodução/Google

Débora Mafra está no cargo há quatro anos e conta como descobriu amor pela defesa das mulheres vítimas de agressão.

Mulheres em situação de dor e fragilidade buscam amparo na delegada Débora Mafra, titular da unidade. O G1 conversou com a delegada e descobriu que, para além de um escudo na lei, Mafra passa a ser, para muitas mulheres, um escudo também de amor e confiança.

 

É só passar algumas horas na sede da Delegacia da Mulher, na Zona Centro-Sul de Manaus, para perceber a movimentação. Os registros de ocorrência são constantes. Mulheres que vivem à sombra de um relacionamento abusivo são as principais vítimas. Por trás de tudo, lá está Débora.

 

A "delegada baixinha", como ela mesma fala, é a grandiosidade de um lugar carregado de dor. Educando, promovendo a força feminina e exaltando as mulheres que um dia foram agredidas dentro da própria casa, Débora Mafra é, acima de tudo, um coração que bate no peito das milhares de vítimas.

 

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A grande maioria desses casos passam por Mafra, que recolhe, debaixo das asas da lei e do afeto, aquelas que precisam de ajuda."No momento que você vê uma mulher fragilizada, você tem que levantar aquela mulher, levantar a cabeça dela. É isso que me faz acordar todos os dias"
“Sororidade. Eu gosto e vivo para falar sobre isso, porque se tornou algo inerente à minha vida.

 

Deus me dá essa força para, todos os dias, estar lutando contra a violência doméstica e querendo vencer os obstáculos que vêm pra mim também. Eu peguei essa missão para mim como um ministério para restaurar vidas, vidas que estão acabadas pela violência doméstica”, afirma.Há quem diga que a unidade policial é um lugar de histórias tristes e pesadas. E o ó. Mas há, ainda, quem não deseja sair de lá tão cedo, como é o caso da delegada, que há quatro anos comanda a DECCM e abriga as mulheres que procuram por ajuda.

 

“No momento em que você entra numa delegacia, é o momento em que você precisa ser mais forte. Que você precisa estar disposta. A vítima, às vezes, chega muito arrasada, não quer nem se arrumar mais. E a gente mostra pra ela que tudo que ela está passando vai ficar no passado. Que o futuro vai ser brilhante e que ela precisa ser forte”, afirmou Mafra.

 

 

Em todo o processo, desde o primeiro contato com a vítima até os procedimentos cabíveis com o agressor, a delegada comenta sobre o seu papel de, até, educadora. O preenchimento da lacuna entre o homem que agrediu e a mulher que foi agredida é, inteiramente, ocupado pelo auxílio da polícia.

 

"Eu estou sendo um escudo para a mulher. Me coloco naquele momento, no lugar dela, e eu uso as armas que a lei me dá. Nós somos a proteção daquela mulher no momento de fragilidade e juntas somos mais”
“Eu acho que o meu papel é muito importante porque é o momento em que você se coloca na brecha entre o agressor e a vítima, que é isso que eu faço. É um papel muito forte, muito importante, muito necessário", disse.

 

Transferência

 

Fotos: Reprodução/Google

 

O início da carreira como delegada passou longe da DECCM. Mafra contou ao G1 que se tornou delegada para elucidar crimes de homicídio. Seu antigo posto era na Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) e, até quatro anos atrás, não imaginava que poderia ocupar o cargo de titular da Delegacia da Mulher.

 

“Eu trabalhava - na época em que fui convidada para a Delegacia da Mulher - na Delegacia de Homicídios e gostava muito, eu me tornei delegada porque queria para elucidar crimes, tentar encontrar materialidade e indícios de autoria, até que veio esse convite e eu pensei: será que eu me adapto? Eu não sabia que ali eu me identificaria tanto. Como eu me identifiquei com aquelas mulheres, como, dentro de mim, algo também mudou. Querer salvar essas pessoas e crianças que sofrem por conta desses casamentos... Eu peguei isso e transformei como um ministério na minha vida”, disse.Questionada sobre o envolvimento com os casos e a difícil tarefa de ser uma mulher no papel de ouvir, digerir, e trabalhar em cima desse tipo, Mafra segue firme no discurso que a move desde o primeiro ano como titular da unidade.

 
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“Eu não imaginava que eu poderia gostar tanto. Cada sorriso, cada obrigada que eu recebo, as vezes até no shopping, quando recebo aquele obrigada, é um reconhecimento pelo meu trabalho, me faz um bem porque eu sei que estou fazendo o mínimo, não só para uma sociedade, mas para uma mulher que foi vítima de violência doméstica e lembrou que eu estive ali junto com ela”, disse. 

 

Fonte: com informações do Portal G1

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