Em resposta à crise, o Brasil endureceu sua legislação com a nova Lei 14.994 de 2024, que entrou em vigor em outubro deste ano, aumentando a pena mínima de feminicídio de 12 para 20 anos, com uma pena máxima agora estabelecida em 40 anos de reclusão.
Apesar de avanços nas legislações para proteger as mulheres, o feminicídio continua sendo uma grave realidade no Brasil. Entre 2012 e 2022, ao menos 48.289 mulheres foram assassinadas, segundo o Atlas da Violência, e somente em 2022, o país registrou 3.806 vítimas desse crime, com uma taxa de 3,5 casos por 100 mil mulheres. Em resposta à crise, o Brasil endureceu sua legislação com a nova Lei 14.994 de 2024, que entrou em vigor em outubro deste ano, aumentando a pena mínima de feminicídio de 12 para 20 anos, com uma pena máxima agora estabelecida em 40 anos de reclusão.
Helena Lobo, professora de Direito Penal da USP, explica que essa mudança representa um avanço importante para o sistema judicial brasileiro, destacando que os novos casos a partir de outubro já estarão sujeitos a essas punições mais severas. “Temos hoje uma pena significativamente maior para o feminicídio quando comparado a outros tipos de homicídio qualificado”, afirma Helena Lobo, ressaltando que a eficácia dessas medidas ainda será testada nos tribunais.
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O Patriarcado e o Machismo como Raízes do Problema
Helena Lobo – Professora de Direito Penal da USP
Embora a nova lei traga esperança de justiça mais rigorosa, especialistas afirmam que fatores sociais e culturais profundamente enraizados, como o machismo e o patriarcado, continuam a alimentar a violência contra as mulheres. Eva Blay, professora da USP, aponta que o Brasil ainda é uma sociedade patriarcal, onde o poder se concentra nas figuras masculinas, o que perpetua a subordinação das mulheres e contribui para o aumento dos feminicídios. “O patriarcado é o contexto de poder, onde o homem decide se uma mulher vive ou morre”, enfatiza Eva Blay.
Ela também menciona que o movimento antifeminista, em reação aos avanços dos direitos das mulheres, tem agravado essa violência. “O que estamos vendo é uma reação dos homens que percebem que estão perdendo poder com o avanço do feminismo”, explica.
Violência Escalada: Como Reconhecer os Sinais Preliminares
Eva Blay – Coordenadora do Escritório USP Mulheres
Helena Lobo descreve como os abusos podem começar de maneira sutil e se intensificar ao longo do tempo. “Geralmente, tudo começa com agressões verbais, pressões psicológicas e controle patrimonial, até escalar para a violência física e, em muitos casos, ao feminicídio”, diz a professora. O poder econômico, muitas vezes concentrado nas mãos dos homens, é uma das armas usadas para controlar e oprimir as mulheres, criando um ciclo de violência difícil de romper.
Para reduzir esses números alarmantes, é necessário um conjunto de ações que vá além do Direito Penal. Eva Blay e Helena Lobo concordam que políticas educacionais são cruciais para a desconstrução de papéis sociais que perpetuam o machismo desde a infância. Além disso, estratégias imediatas, como a melhoria das Delegacias da Mulher e abrigos temporários, são fundamentais para oferecer suporte imediato às vítimas.
“Precisamos de delegacias que funcionem 24 horas, principalmente aos finais de semana, quando a violência doméstica tende a ser mais comum”, ressalta Helena Lobo. Ela também reforça a necessidade de abrigos para mulheres que fogem de seus agressores, garantindo que tenham onde se abrigar temporariamente enquanto reconstroem suas vidas.
Uma Luta que Vai Além da Lei
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A jornalista Maria Santana Souza é a idealizadora
do Portal Mulher Amazônica e do "Ela Podcast"
Embora a nova legislação represente um avanço no combate ao feminicídio, é fundamental que o Brasil continue a enfrentar as raízes desse problema, especialmente através de mudanças culturais e sociais. A violência contra a mulher é um reflexo de uma sociedade que ainda tem muito a evoluir em termos de igualdade de gênero. A lei pode punir, mas a verdadeira transformação virá com a reeducação e a conscientização de toda a sociedade.
É por isso que veículos de comunicação comprometidos com essas causas, como o Portal Mulher Amazônica e o Ela Podcast, são fundamentais nessa luta. Esses canais não apenas oferecem uma plataforma para denunciar a violência e informar sobre direitos, mas também dão voz às mulheres que sofrem diariamente com o peso da violência doméstica e familiar. “Mais do que nunca, é necessário fortalecer essa rede de comunicação comprometida com a justiça e a equidade de gênero”, ressalta Maria Santana.
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Fotos: Divulgação
O Portal Mulher Amazônica, em especial, assume esse papel com seriedade, reconhecendo que sua missão vai além da informação. Ele se posiciona como um agente transformador, conectando mulheres em situação de vulnerabilidade com recursos, apoio e esperança. O compromisso de dar voz a quem foi silenciado é primordial para criar uma sociedade mais justa e para combater, de maneira firme, os ciclos de violência que assolam tantas vidas. Em um momento de grandes desafios, essas plataformas se tornam um farol de resistência e solidariedade na luta pelos direitos das mulheres na Amazônia e no Brasil.
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