Presidente brasileiro foi o primeiro chefe de Estado a discursar no principal evento da organização internacional, seguindo uma tradição de 70 anos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva denunciou as tentativas de ingerência estrangeira sobre o Brasil e afirmou que a soberania e a democracia do país são inegociáveis em pronunciamento na abertura da 80ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Sem fazer referência direta aos EUA ou ao presidente americano, Donald Trump, e nem nominalmente à ala política que advoga pela imposição de sanções junto à Casa Branca, Lula classificou a situação como um golpe às instituições democráticas.
— Não há justificativa para as medidas unilaterais e arbitrárias contra nossas instituições e nossa economia. A agressão contra a independência do Poder Judiciário é inaceitável. Essa ingerência em assuntos internos conta com o auxílio de uma extrema direita subserviente e saudosa de antigas hegemonias. Falsos patriotas arquitetam e promovem publicamente ações contra o Brasil.
Não há pacificação com impunidade. Há poucos dias e pela primeira vez em 525 anos de nossa história, um ex-chefe de Estado foi condenado por atentar contra o Estado Democrático de Direito. Foi investigado, indiciado e julgado e responsabilizado pelos seus atos em um processo minucioso. Teve amplo direito de defesa, prerrogativa que as ditaduras negam às suas vítimas.
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Diante dos olhos do mundo, o Brasil tem um recado a todos os candidatos autocratas e àqueles que os apoiam: nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis. Seguiremos como nação independente e como povo livre de qualquer tipo de poder — afirmou Lula na parte inicial de seu discurso.Ainda de acordo com Lula, ataques a soberania de países soberanos, imposição de sanções arbitrárias e intervenções unilaterais estão se tornando regra, e são um sinal da desordem internacional e da crise do multilateralismo, que o presidente disse colocar em xeque a própria autoridade da ONU.
— Este deveria ser um momento de celebração das Nações Unidas. Criada no fim da guerra, a ONU simboliza a expressão mais elevada da aspiração pela paz e pela prosperidade — disse Lula. — Hoje, contudo, os ideais que inspiraram seus fundadores em São Francisco, estão ameaçados como nunca estiveram em toda sua História.
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Fontes ouvidas pelo GLOBO já haviam antecipado que o discurso de Lula teria mensagens a Trump e à Casa Branca, mas que o presidente brasileiro não citaria nominalmente o republicano ou o governo dos EUA. Ainda assim, marcaria posição, demonstrando que a agenda é oposta a vigente em Washington.
O presidente avaliou que forças antidemocráticas tentam subjugar as instituições e sufocar as liberdades "em todo o mundo", listando práticas como culto à violência, exaltação da ignorância e cerceamento da imprensa. Em contraposição, afirmou que "democracias sólidas vão além do ritual eleitoral", apontando como pressuposto a "redução das desigualdades e a garantia dos direitos mais elementares: a alimentação, a segurança, o trabalho, a moradia, a educação e a saúde".
América Latina e terrorismo

Fotos: Reprodução/Instagram
Lula também criticou abertamente a equiparação do tráfico internacional de drogas ao terrorismo — uma outra agenda imposta pelos EUA à região, com a inclusão de cartéis na lista de organizações terroristas internacionais, e a recente mobilização de navios militares para a região do Caribe. O presidente classificou a medida como perigosa.
— Somos um continente livre de armas de destruição em massa, sem conflitos étnicos ou religiosos. É preocupante a equiparação da criminalidade e do terrorismo. A forma mais eficaz de combater o tráfico de drogas é a cooperação para reprimir a lavagem de dinheiro e limitar o comércio de armas. Usar força letal em situações que não constituem conflitos armados equivale a executar pessoas sem julgamento — argumentou Lula.
Fonte: com informações O Globo
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