Ao Amarelas On Air, ex-ministra diz que presidente se omitiu diante do desaparecimento de indigenista e jornalista e acusa escalada da violência na Amazônia
Com duras críticas ao presidente Jair Bolsonaro, a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva afirma que o governo se omitiu diante do desaparecimento do indigenista Bruno Araújo Pereira e do jornalista Dom Phillips, ambos desaparecidos há vários dias na Amazônia. Bolsonaro, na visão da ex-ministra do governo Lula, só agiu movido pela repercussão internacional provocada pelo caso.
Marina aponta para um agravamento sem precedentes da violência na região amazônica e enxerga no atual governo um movimento para flexibilizar a legislação vigente de forma a abrir espaço para o avanço de crimes cometidos contra povos indígenas e outros grupos vulneráveis.
“Diante dessa tragédia inominável, o que o governo teve a atitude de fazer foi, em primeiro lugar, tentar culpar as vítimas. Como se dissesse: vocês foram para uma aventura, num lugar perigoso, isso é problema de quem foi. Como se os cidadãos de bem, que estão fazendo seu trabalho, tanto o indigenista quanto o jornalista, estivessem atrapalhando aqueles que estão ali roubando o Estado, cometendo crimes, em prejuízo da vida dessas populações”, disse Marina.
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A ex-ministra acusa o governo de “empoderar os criminosos e não aqueles que precisam ser protegidos”, com um comportamento que “do ponto de vista humano e ético é inaceitável”. “É lamentável. Uma lástima que, num momento como esse, a gente tenha uma atitude dessa natureza por parte do governo, que só foi agir tardiamente, diante da repercussão internacional desse caso.”

Marina afirma que o caso de Bruno Pereira e Dom Phillips ocorre em um quadro de maior gravidade do que aqueles ocorridos no passado, como o assassinato de Chico Mendes e Dorothy Stang. O momento atual, segundo ela, é de uma complexidade muito maior, com uma ação conjunta do garimpo ilegal, do tráfico de armas e de drogas, pavimentada por grupos que possuem um grau muito mais elevado de organização dentro e fora do Brasil.

Ainda sem bater o martelo sobre qual será seu destino nas eleições deste ano, Marina Silva acena positivamente ao PT do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas evita se comprometer com um apoio sem antes acertar uma agenda consistente na área ambiental para um eventual novo governo.

Fotos: Reprodução
Poucos dias após ter oficializado o apoio a Fernando Haddad na disputa pelo governo de São Paulo, ela também evita indicar se aceitaria ser vice na chapa paulista, como gostaria o petista. E sinaliza que mantém em seus planos a ideia de disputar uma vaga de deputada federal no Estado, como parte de um projeto para fortalecer a agenda ambiental no Congresso Nacional. Marina confirmou, durante a entrevista, que não tardará para tomar uma decisão final, que pode sair já nos próximos dias.
Fonte: Portal Veja
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