Um dos casos emblemáticos é o da comunidade Fazendinha, onde a situação de alerta máximo está presente desde 2019, sem que medidas estruturais tenham sido implementadas para proteger a população.
Um mapeamento inédito realizado pela InfoAmazonia joga luz sobre uma dura realidade: os grupos mais vulneráveis da Amazônia Legal são também os mais expostos aos desastres ambientais provocados por fenômenos como inundações, deslizamentos, alagamentos e erosões.
A análise cruza dados do Censo 2022, do IBGE, com o mapeamento de áreas de risco do Serviço Geológico do Brasil (SGB). O resultado revela um padrão alarmante: jovens, mulheres, pessoas negras ou pardas — muitas vezes em situação de pobreza e vivendo sem acesso a saneamento básico — compõem a maior parte da população em risco.
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Risco concentrado nas periferias urbanas

As áreas mapeadas como mais vulneráveis estão concentradas nas zonas urbanas da Amazônia, principalmente nas periferias de grandes cidades, onde as condições de moradia e saneamento são precárias e as políticas públicas, insuficientes.
Em Manaus, capital do Amazonas, a situação é crítica:
85% da população exposta vive em áreas de risco alto
15% está em áreas de risco muito alto
Um dos casos emblemáticos é o da comunidade Fazendinha, onde a situação de alerta máximo está presente desde 2019, sem que medidas estruturais tenham sido implementadas para proteger a população.
Racismo ambiental e desigualdade climática

O levantamento revela o que especialistas chamam de racismo ambiental: os impactos da crise climática e da negligência governamental recaem com mais força sobre grupos historicamente marginalizados, que ocupam áreas de risco por falta de opção habitacional segura e acessível. “Não é coincidência que os mais afetados sejam justamente aqueles com menos acesso a direitos fundamentais como saneamento, educação e saúde. O que vemos é um processo contínuo de injustiça climática”, aponta o estudo.
Saneamento precário e invisibilidade social
Fotos: Reprodução/Internet
As áreas mapeadas têm indicadores muito abaixo da média nacional em acesso à água tratada, esgoto sanitário e coleta de lixo — fatores que potencializam os danos causados por chuvas intensas e alterações no regime dos rios amazônicos. Além disso, muitas dessas comunidades enfrentam invisibilidade nos planos de gestão urbana, ficando fora de políticas de mitigação de riscos ou reassentamentos dignos.
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