Mas, junto aos avanços, desafios estruturais emergem.
A humanidade vive mais do que nunca. Em apenas 70 anos, a expectativa de vida cresceu em quase todos os países, alterando não apenas as estruturas demográficas, mas também as dinâmicas econômicas, sociais e políticas.
No Brasil, por exemplo, dados do IBGE mostram que a expectativa de vida ao nascer saltou de 68,4 anos em 1990 para 76,4 anos em 2023. A tendência se mantém globalmente, impulsionada por avanços na medicina, acesso à informação, políticas públicas de saúde e saneamento.
Mas, junto aos avanços, desafios estruturais emergem. O chamado “envelhecimento populacional”, impulsionado pela queda na taxa de natalidade e pelo aumento da longevidade, está moldando um novo modelo de sociedade — e de economia.
Veja também
.jpeg)
Vizinhos se unem para expulsar Bolsonaro de condomínio de luxo
Brasil: menos jovens, mais idosos
.jpeg)
Segundo o IBGE:
• A população de crianças até 14 anos caiu de 27,4% (2000) para 19,8% (2020).
• Já a de pessoas com 65 anos ou mais aumentou de 5,9% para 10,9% no mesmo período.
A projeção para 2040 é ainda mais marcante: uma em cada quatro pessoas terá mais de 60 anos. Esse fenômeno impõe um reordenamento das prioridades públicas, com redução de investimentos em áreas como educação básica e aumento de demandas em saúde, previdência e cuidados de longo prazo.
Aposentadoria e Previdência: um sistema sob pressão
O Balanço do Setor Público Nacional (BSPN) de 2025, divulgado em junho, revelou que as despesas com a Previdência Social já representam 12% do PIB brasileiro — e a tendência é de crescimento. O aumento da longevidade e a queda na taxa de natalidade reduzem a proporção de trabalhadores ativos sustentando os inativos, o que pressiona os sistemas de seguridade social e exige reformas estruturais e incentivo à previdência complementar.
Oportunidades no mercado: saúde, bem-estar e patrimônio
.jpeg)
Apesar dos desafios, o envelhecimento também abre oportunidades econômicas bilionárias. A chamada “economia prateada” já movimenta mais de US$?17 trilhões (R$?93,6 trilhões) globalmente, segundo o relatório Rethink Longevity do banco suíço Lombard Odier.
No Brasil, empresas listadas na Bolsa já captam parte desse movimento:
• Hapvida (HAPV3), Dasa (DASA3), Fleury (FLRY3) e Rede D’Or (RDOR3) crescem com a demanda por serviços médicos privados;
• Hypera (HYPE3) lidera o setor farmacêutico;
• O mercado de seguros e previdência privada também se expande com o aumento da consciência sobre planejamento de longo prazo.
Segundo o relatório, os segmentos mais promissores incluem:
1. Farmacêuticas: foco em doenças crônicas, neurodegenerativas e obesidade.
2. Dispositivos médicos: aparelhos para diabetes, cardiovasculares e diagnósticos por imagem.
3. Saúde e bem-estar: como suplementos alimentares e aparelhos auditivos.
4. Seguros: com destaque para saúde suplementar e vida.
5. Gestão de riquezas: incluindo fundos de pensão e previdência privada.
Os Estados Unidos são líderes globais em gastos com saúde:
• Representam 17,6% do PIB, mais do que qualquer outro país desenvolvido.
• O gasto per capita é de US$?12.555,00 — quase o dobro da média da OCDE (US$?6.651,00).
Ainda assim, a expectativa de vida norte-americana é uma das mais baixas entre países ricos:
• Em 2023, era de 78,4 anos, quatro anos abaixo da média de países como Suécia e Áustria.
• A mortalidade precoce (antes dos 70 anos) é quase o dobro da média global.
Motivos:
.jpeg)
• Altas taxas de obesidade (42,9% da população adulta);
• Elevada incidência de doenças crônicas (diabetes, doenças hepáticas e renais);
• Estilo de vida sedentário e desigualdades no acesso à saúde.
A China se aproxima — e investe em prevenção
Enquanto os EUA patinam, a China avança em políticas de saúde pública:
• A Iniciativa China Saudável 2019–2030 foca na redução de sal, açúcar e gordura, além de ampliar o acesso a medicamentos.
• A expectativa de vida chinesa já chega a 78 anos, praticamente empatando com os EUA.
Desafios persistem:
• Mortes prematuras cresceram 46% entre 2000 e 2021;
• Problemas ligados à poluição e urbanização acelerada.
Mesmo assim, as políticas de saúde incluem:

Fotos: Reprodução/Google
• Desregulamentação de preços de medicamentos;
• Compra por volume para baixar custos;
• Redução da dependência de importações, incentivando produção nacional.
Nos EUA, o governo encerrou isenções tarifárias sobre medicamentos e suplementos que vigoravam desde 1994. Isso:
• Aumenta os custos de importação de vitaminas e compostos produzidos na China e Índia (responsáveis por 90% dos genéricos consumidos nos EUA);
• Impacta diretamente a população idosa, que vive com renda fixa e tem nos cuidados médicos sua segunda maior despesa anual.
O envelhecimento da população global é irreversível — e traz uma dualidade poderosa: desafios estruturais profundos, mas também oportunidades de inovação e crescimento. Governos, empresas e indivíduos terão que se adaptar a uma nova realidade econômica, focada na longevidade ativa, saúde preventiva, gestão patrimonial e inclusão social dos mais velhos. A “economia da longevidade” não é apenas uma tendência: é um imperativo. Quem entender essa transformação desde já estará mais preparado para o futuro — e para viver nele com qualidade.
Portal Mulher Amazônica
Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.