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Mulher em pauta - 02/11/2023

"Enem é ponto de inflexão, mudou minha vida", diz médica do Exército formada em federal

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Foto: Reprodução Google

Sem dinheiro para bancar curso de medicina particular, jovem de Cubatão (SP) recorreu ao exame e na 2ª tentativa conseguiu a aprovação

Milena Santana da Conceição, de 28 anos, já tinha pensado em cursar medicina, mas nunca achou que a área era para ela, sempre foi algo distante. Também, pudera, na sua família não havia médicos, e tampouco, condições financeiras para pagar uma faculdade desse nível. O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) mudou a vida da jovem cubatense (SP): pelo Sistema de Seleção Unificado (Sisu), formou-se na Universidade Federal do Paraná, e hoje trabalha como médica no Exército. 

 

Esse é o segundo episódio da série de reportagens Onde o Enem me levou?, que conta a história de vários brasileiros que,  a partir do exame, conquistaram marcas profissionais, pessoais e financeiras transformadoras. Ao todo são cinco episódios que serão publicados no Terra ao longo das próximas duas semanas. Acompanhe e se inspire nesses relatos.  

 

A jovem foi incentivada desde muito nova a se dedicar aos estudos, e acumulou bolsas ao longo do pouco tempo de vida. A primeira veio no ensino fundamental em uma escola particular. Já o ensino médio foi feito no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), em conjunto com o técnico. 

 

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Foi durante esse período que descobriu que era possível estudar sem pagar nada. "Até então, não tinha noção que existiam faculdades públicas e que não precisava pagar para estudar", explica. Entre o primeiro e segundo ano, começou a pensar em medicina, mas o dinheiro para pagar o curso ainda era uma barreira. 

 

"Minha família não é rica, então para mim era uma coisa meio: não posso pensar nisso. E ali no Ensino Médio, que todo mundo fala de faculdades públicas, eu comecei a pensar". Em 2012, prestou como treineira o Enem.

 

No ano seguinte, já no quarto ano do colégio --pois o IFSP tem quatro anos de ensino médio--, conseguiu sua segunda bolsa de estudos, desta vez, para um cursinho preparatório de vestibular em Santos. Conciliava a escola com o cursinho, que fazia no período noturno. Prestou o exame mais uma vez, mas não passou. 

 

Entrada no Exército

 

 

A médica se formou em 2021, no auge da pandemia da covid-19. Dois dias depois, estava assumindo um plantão em um hospital de Curitiba. O período foi difícil. Mesmo sendo recém-formada, se deparou com muitos casos graves e plantões em unidades de terapia intensiva (UTI). Depois de sete meses, naquela loucura, teve um burnout, e isso atrapalhou os planos de fazer sua residência, já que é necessário fazer um novo vestibular. "Eu não consegui prestar a prova. Prestei, mas não tinha estudado corretamente, porque eu não estava bem", salienta. 

 

Na mesma época, soube de um processo seletivo do Exército, e resolveu tentar. Como era em outra cidade, viu ali a chance de trocar de "ares" e tentar uma coisa nova. Ela passou e foi servir em Florianópolis (SC) por um ano. 

 

"Depois que eu entrei, percebi que poderia fazer a residência médica com mais direitos trabalhistas. Fora isso, também percebi que tinha algumas coisas que eu queria viver antes de ser especialista. Queria atender populações vulneráveis em lugares mais distantes. Pelo Exército, você tem a oportunidade de trabalhar na Amazônia, no Norte, com populações indígenas, com populações ribeirinhas, com um respaldo, uma retaguarda maior", explica. 

 

 

Milena resolveu prestar a prova para seguir carreira no Exército, e, agora, está em Salvador (BA). Em treinamento, ela aprendeu como sobreviver na selva, como acampar e várias coisas operacionais que é preciso ter para conseguir chegar até essas populações mais vulneráveis. 

 

Que o Enem mudou a vida da médica e dos seus, é um fato. Agora, ela deseja que mais outras tantas pessoas tenham o mesmo futuro que ela: cheio de conquistas, sonhos e novos desafios para serem superados. Feliz e realizada por já ter chegado onde está, ela deixa uma palavra de conforto para quem vai enfrentar a prova neste ano. 

 

Fotos: Reprodução Google

 

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"Se a gente manter ali a rotina e a dedicação, a nossa hora sempre chega. Eu tive amigos que demoraram cinco ou seis anos para passar na faculdade, e, hoje em dia, eles estão formados, super felizes trabalhando na área. Então quando é para ser a hora, ela chega no lugar certo, porque para quem vem de família que não tem muito, o estudo é a melhor saída para a gente. Para conquistar tudo o que se quer, para mudar de vida, e não só a nossa, mas mudar a vida também das pessoas que estão ali, junto com a gente”, finaliza. 

 

Fonte: com informações do Portal Terra 

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