Ex-ajudante de ordens de Bolsonaro também teria recebido orientações e documentos sobre um plano de golpe de Estado.
Ex-ajudante de ordens do então presidente Jair Bolsonaro (PL), Mauro Cid voltou aos holofotes após vir à tona o material que estava em seu celular, apreendido pela Polícia Federal (PF). Preso em uma operação que mirava fraude em cartões de vacina, o militar mantinha no aparelho conteúdos e conversas de claro cunho golpista.
No curso da apuração, a PF identificou que Cid fazia parte de grupos de WhatsApp em que se discutiam arroubos antidemocráticos o golpe. O caso foi revelado pela revista Veja nesta quinta-feira, e nesta sexta o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantou o sigilo das informações.
Em um dos grupos no qual Cid estava, o "Dosssss!", com militares da ativa, integrantes defendiam a realização de um golpe de Estado e proferindo ameaças ao ministro Alexandre de Moraes, que também preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em trocas de mensagens no aplicativo, um dos militares afirmou que a ruptura democrática "já ocorreu":
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"Estejamos prontos... A ruptura institucional já ocorreu... Tudo que for feito agora, da parte do PR (presidente), FA (Forças Armadas) e tudo mais, não vai parar a revolução do povo".
Outro integrante do grupo ameaçou diretamente Moraes:
"Vai ter careca sendo arrastado por blindado em Brasília?".

Já em outro grupo de Cid, do qual também fazia parte o tenente-coronel Marcelino Haddad, o "CCEM 16/17" — nome em referência ao Curso de Comando e Estado-Maior do Exército —, também ocorria a discussão sobre investidas autoritárias. No WhatsApp, o grupo com 101 integrantes apresentou uma série de conclusões, como a "definição de situações em que essa missão constitucional (de uso das Forças Armadas) pode ser cumprida".
Conforme a Veja revelou nesta sexta-feira, a PF apurou que Haddad foi responsável por encaminhar documentos, orientações jurídicas e apresentações do Exército a Mauro Cid. O conteúdo teria sido encaminhado ao ex-ajudante de ordens de Bolsonaro para embasar um plano de golpe de Estado, com dissolução do Supremo Tribunal Federal (STF) e instauração de uma intervenção militar no país. O movimento, articulado nos grupos contendo militares, começou após a vitória do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais do ano passado.
Entenda o caso

Um dos documentos que estava no aparelho de Cid era intitulado “Forças Armadas como poder moderador”. Nele, é apresentado um plano baseado na tese controversa — e rechaçada por especialistas — de que militares poderiam ser convocados para arbitrar conflitos entre os poderes.
O documento ensina uma espécie de "passo a passo" do golpe. Segundo o plano, Bolsonaro deveria encaminhar as supostas inconstitucionalidades praticadas pelo Judiciário aos comandantes das Forças Armadas. Os militares poderiam, então, nomear um interventor investido de poderes absolutos.

Fotos: Reprodução
Esse interventor, na sequência, poderia fixar um prazo para o “restabelecimento da ordem constitucional”. Assim, poderia suspender decições que considerasse inconstitucionais, como a diplomação de Lula. Além disso, poderia afastar preventivamente ministros do STF como Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Ricardo Lewandowski, que na época integravam o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No lugar, convocaria os substitutos, Kassio Nunes Marques, André Mendonça e Dias Toffoli.
A trama incluiu até mesmo integrantes do alto escalão das Forças Armadas, como atestam diálogos do coronel Jean Lawand Junior, então subchefe do Estado Maior do Exército, com Mauro Cid. Após a derrota de Bolsonaro nas urnas, Lawand manteve contato frequente com Cid e cobrou, repetidamente, que fosse colocado em prática um plano golpista.
Fonte: com informações do Portal O Globo
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