Estudo realizado em Manaus mostrou que pequenos aerossóis expelidos por fábricas ou veículos crescem rapidamente e interferem na formação de gotas de chuva
Até mesmo as partículas mais finas de poluição impactam os mecanismos de formação e desenvolvimento das nuvens e alteram o regime de chuvas. O estudo foi realizado na cidade de Manaus, capital do estado do Amazonas. Ele mostrou que, por meio de um processo químico conhecido como oxidação, pequenos aerossóis expelidos por fábricas ou escapamentos de carro, por exemplo, crescem muito rapidamente, atingindo tamanho até 400 vezes maior. E isso interfere na formação das gotas de chuva.
"Entender os mecanismos de formação de nuvens e de chuvas na Amazônia é um grande desafio pela complexidade de processos físico-químicos não lineares da atmosfera”, explica Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP) e autor do estudo publicado nesta quarta-feira (12) na Science Advances.
A descoberta de pesquisadores brasileiros e norte-americanos aumenta a precisão de modelos e de simulações matemáticas sobre as mudanças climáticas. “Essas nanopartículas de poluição [com menos de 10 nanômetros] costumavam ser desprezadas em cálculos e modelos atmosféricos.
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A atenção era voltada para as partículas com mais de 100 nanômetros, pois são elas que atuam como núcleo de condensação de nuvens [onde o vapor de água condensa e forma gotículas] e alteram o padrão das chuvas. Com este estudo mostramos que, ao longo de sua trajetória na atmosfera, as partículas menores vão se oxidando e crescendo rapidamente até atingirem o tamanho necessário para virar um núcleo de condensação”, explica Luiz Augusto Machado, professor do IF-USP e coautor do artigo.
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Os dados foram coletados com auxílio de aviões que sobrevoaram a região de Manaus em baixa altitude, percorrendo cerca de 100 quilômetros da pluma de poluição produzida na metrópole entre os anos de 2014 e 2015.

O trabalho teve apoio da Fapesp por meio da campanha científica Green Ocean Amazon (GoAmazon) e de um Projeto Temático – ambos vinculados ao Programa Fapesp de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG).

Fotos: Reprodução
Fonte: Revista Galileu
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