23 de Abril de 2026

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Política - 30/08/2022

Ao autorizar buscas contra empresários Bolsonaristas, Alexandre viu risco de financiamento de 'ações antidemocráticas'

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Foto: Nelson Jr./SCO/STF

Ministro do STF disse ver indícios de 'organização criminosa' e afirmou não ter dúvidas do risco de 'atentados' contra a democracia e contra a independência do Judiciário

Ao autorizar a Polícia Federal (PF) a fazer buscas em endereços ligados a oito empresários bolsonaristas, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse ver indícios de uma “verdadeira organização criminosa” antidemocrática. Ele também afirmou não ter dúvidas do risco de “atentados contra a democracia” e contra a “independência do Poder Judiciário”.

 

Moraes se baseou em uma representação da Polícia Federal, assinada pelo delegado Fábio Alvarez Shor, e em provas colhidas em outras investigações sobre apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL).


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 O ministro também é relator dos inquéritos das fake news e das milícias digitais, que fecharam o cerco contra aliados do Planalto. Um juiz instrutor que trabalha no gabinete de Moraes apontou “conexão probatória” entre as suspeitas que recaem sobre os empresários e as apurações que correm sob a relatoria do ministro. Segundo Moraes, o “contexto” tornou a operação “imprescindível”.

 

O ministro deu sinal verde para a apreensão de celulares, quebra de sigilo bancário e telemático (de mensagem) e suspensão dos perfis dos empresários nas redes sociais. A decisão diz que as garantias individuais não poderiam ser usadas como um “verdadeiro escudo protetivo para a prática de atividades ilícitas”.

 

 

“Não há dúvidas de que as condutas dos investigados indicam possibilidade de atentados contra a Democracia e o Estado de Direito, utilizando-se do modus operandi de esquemas de divulgação em massa nas redes sociais, com o intuito de lesar ou expor a perigo de lesão a independência do Poder Judiciário, o Estado de Direito e a Democracia”, escreveu.

 

Moraes também manifestou preocupação com o potencial de financiamento de “atividades digitais ilícitas e incitação à prática de atos antidemocráticos” e defendeu uma “reação absolutamente proporcional do Estado” para “afastar a possível influência econômica na propagação de ideais e ações antidemocráticas”.

 

 

“O poder de alcance das manifestações ilícitas fica absolutamente potencializado considerada a condição financeira dos empresários apontados como envolvidos nos fatos, eis que possuem vultosas quantias de dinheiro, enquanto pessoas naturais, e comandam empresas de grande porte, que contam com milhares de empregados, sujeitos às políticas de trabalho por elas implementadas”, acrescentou.

 

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Fotos: Reprodução

 

A operação foi deflagrada na última terça-feira, 23, e atingiu oito empresários: Afrânio Barreira Filho, do restaurante Coco Bambu; Ivan Wrobel, da W3 Engenharia; José Isaac Peres, do grupo Multiplan; José Koury, dono do shopping Barra World; Luciano Hang, da rede de lojas Havan; Luiz André Tissot, da Sierra Móveis; Marco Aurélio Raymundo, da Mormaii; Meyer Joseph Nigri, da Tecnisa.

 

Os empresários fazem parte de um grupo de WhatsApp e conversaram abertamente sobre um golpe caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja eleito. As mensagens foram reveladas pelo portal Metrópoles. 

 

Fonte: O Estado de São Paulo

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