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manchete - 10/03/2029

vOU ESCOLHER OUTRA FOTO********MULHERES AMAZÔNICAS SÃO AS MAIS AFETADAS PELA CRISE CLIMÁTICA E TAMBÉM AS MAIS PREPARADAS PARA ENFRENTÁ-LA

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Foto: Reprodução/Google

A divisão sexual do trabalho na região amazônica coloca sobre as mulheres a responsabilidade pelo cuidado da família, pela segurança alimentar e pelo manejo de recursos naturais.

A crise climática não é apenas um fenômeno ambiental. Trata-se de uma questão social, econômica e política que aprofunda desigualdades históricas. Na Amazônia, esse cenário se torna ainda mais evidente quando analisado sob a perspectiva de gênero. Mulheres indígenas, ribeirinhas, quilombolas, agricultoras e moradoras das periferias urbanas enfrentam impactos desproporcionais das mudanças climáticas, ao mesmo tempo em que desempenham papel central nas estratégias de adaptação e resistência.

 

Impactos desiguais e vulnerabilidades estruturais 


A divisão sexual do trabalho na região amazônica coloca sobre as mulheres a responsabilidade pelo cuidado da família, pela segurança alimentar e pelo manejo de recursos naturais. Esse acúmulo de funções as torna mais expostas aos efeitos de eventos climáticos extremos. Dados recentes reforçam esse cenário. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), eventos como secas prolongadas e enchentes intensas se tornaram mais frequentes e severos na Amazônia nas últimas décadas. Em 2023 e 2024, a região enfrentou uma das piores secas já registradas, afetando milhões de pessoas e isolando comunidades inteiras no estado do Amazonas.

 

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Quando rios secam ou transbordam, o impacto vai além da mobilidade. Há prejuízos diretos ao acesso à água potável, à saúde e à educação. Mulheres passam a percorrer distâncias maiores para garantir água e alimento, ampliando a sobrecarga física e emocional. Além disso, relatórios internacionais indicam que desastres climáticos estão associados ao aumento da insegurança alimentar e da violência doméstica. De acordo com a ONU Mulheres, cerca de 80% das pessoas deslocadas por desastres climáticos no mundo são mulheres, evidenciando a dimensão de gênero da crise.

 

Mulheres amazônicas na linha de frente da resistência

 

 

 


Apesar das vulnerabilidades, mulheres amazônicas não são apenas vítimas da crise climática. Elas são protagonistas de soluções sustentáveis e da defesa dos territórios. Lideranças indígenas e políticas têm ganhado destaque ao denunciar violações ambientais e propor alternativas. Entre elas estão Sônia Guajajara e Joenia Wapichana, que simbolizam a articulação entre justiça ambiental e direitos indígenas. Nos territórios, mulheres organizam iniciativas fundamentais como:
• Redes de economia solidária
• Projetos de agroecologia e produção sustentável
• Manejo florestal comunitário

• Ações de educação ambiental

 

Além disso, são guardiãs de conhecimentos tradicionais, como sementes crioulas e práticas de cultivo adaptadas ao ciclo das águas, essenciais para a adaptação climática.

 

Políticas públicas no Brasil: avanços e limites

 

 

 


Nos últimos anos, o Brasil retomou políticas ambientais relevantes para a Amazônia. Entre as principais ações estão:
• O Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAM), relançado em 2023, com redução significativa do desmatamento segundo o INPE
• A criação do Ministério dos Povos Indígenas
• A atualização do Plano Clima
• O fortalecimento do Fundo Amazônia
• Programas como o Bolsa Verde

 

Apesar dos avanços, a inclusão da perspectiva de gênero ainda é limitada. Muitas dessas políticas não consideram, de forma estruturada, as necessidades específicas das mulheres amazônicas, especialmente nas áreas mais isoladas.

 

Políticas no Amazonas: respostas locais

 

 

 


No âmbito estadual, o Amazonas tem desenvolvido iniciativas importantes, como:

 

• O Plano Estadual de Prevenção e Controle do Desmatamento (PPCD-AM)
• O Programa Bolsa Floresta
• Ações emergenciais durante secas e cheias
• Projetos de bioeconomia voltados à produção sustentável

 

Embora existam esforços para incluir mulheres, a integração entre políticas ambientais e de gênero ainda ocorre de forma fragmentada, o que limita o alcance e a eficácia dessas ações.

 

Justiça climática como caminho necessário

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 


Falar em justiça climática na Amazônia exige reconhecer que os impactos da crise não são distribuídos de forma igual e que as soluções também não podem ser. Mulheres amazônicas estão simultaneamente entre as mais afetadas e entre as mais preparadas para enfrentar a crise. Ignorar essa realidade compromete qualquer estratégia de sustentabilidade. Para avançar, políticas públicas precisam garantir:
• Participação ativa das mulheres nas decisões ambientais
• Proteção contra violências agravadas por crises climáticas
• Acesso a crédito, terra e tecnologia
• Fortalecimento da saúde e da educação
• Valorização dos saberes tradicionais

 

Posicionamento do Portal Mulher Amazônica

 


O Portal Mulher Amazônica defende que não existe enfrentamento climático eficaz sem o protagonismo das mulheres da região. Ao mesmo tempo em que são as mais impactadas, são também aquelas que sustentam práticas de preservação, segurança alimentar e resistência territorial. Ignorá-las nas políticas públicas é não apenas uma injustiça social, mas um erro estratégico. O portal sustenta que a justiça climática na Amazônia só será possível quando mulheres deixarem de ser tratadas como grupo vulnerável e passarem a ser reconhecidas como agentes centrais na formulação de soluções.

 

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Fontes:
ONU Mulheres. Gender, Climate Change and Displacement Reports
IPCC. Sixth Assessment Report (AR6), 2021–2023
INPE. Dados oficiais de desmatamento (PRODES/DETER)
Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (Brasil).
Fundo Amazônia (BNDES). Relatórios institucionais
Governo do Estado do Amazonas. Programas ambientais e de desenvolvimento sustentável
 

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